Salário líquido do ministro despencou de R$ 100 mil para R$ 35 mil no contracheque de abril após o tribunal aplicar resolução do CNJ que veda adicionais a magistrados suspensos.
Por Redação O Brasiliense
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aplicou um forte freio financeiro nos rendimentos do ministro Marco Buzzi, de 68 anos. Afastado de suas funções jurisdicionais há três meses sob a grave acusação de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos, o magistrado teve uma série de gratificações e “penduricalhos” cortados de seu contracheque mais recente. Com a tesourada institucional, a remuneração líquida de Buzzi, que superava a marca de R$ 100 mil nos meses anteriores, despencou para R$ 35 mil.
Embora o afastamento das atividades tenha sido determinado em 10 de fevereiro deste ano, o ministro continuou a receber vencimentos inflados nos meses subsequentes. A interrupção dos repasses extras atende a uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que proíbe expressamente o pagamento de adicionais a magistrados que estejam suspensos ou afastados de suas cadeiras.
A anatomia do corte no contracheque
A principal tesourada na folha de pagamento de Marco Buzzi ocorreu na rubrica classificada como “indenizações”. Esse bloco de benefícios particulares costumava render ao ministro cifras oscilantes entre R$ 66 mil e R$ 71 mil mensais. No fechamento da folha de abril, contudo, esse montante foi reduzido a apenas R$ 645,25.
De acordo com o STJ, a cesta de vantagens cortadas incluía os seguintes benefícios:
- Auxílio-alimentação e Auxílio-transporte;
- Auxílio pré-escolar e Auxílio-saúde;
- Auxílio-natalidade e Auxílio-moradia;
- Ajuda de custo e outras parcelas de natureza indenizatória.
Em nota oficial, o STJ esclareceu que os vencimentos e adicionais de todo o corpo de magistrados da Corte seguem rigorosamente um teto balizado por decisões conjuntas do STF de 25 de março de 2026 e pela Resolução Conjunta CNJ/CNMP nº 14/2026. Sobre a situação do ministro investigado, o tribunal ressaltou que “sua Excelência segue recebendo apenas as verbas remuneratórias previstas em Lei, à luz da sua situação específica”.
A denúncia de assédio em Balneário Camboriú
O processo que provocou a derrocada do magistrado teve início em janeiro de 2026. A denúncia aponta que o crime de assédio teria ocorrido contra uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos de longa data do ministro, enquanto ela passava as férias de início de ano hospedada na residência de veraneio de Buzzi, em Balneário Camboriú (SC).
Segundo os relatos da vítima às autoridades, o episódio aconteceu no dia 9 de janeiro. Enquanto a jovem tomava um banho de mar, o ministro, que também estava na água, teria tentado agarrá-la à força por três vezes consecutivas. O relato aponta que a vítima entrou em estado de desespero para desvencilhar-se. O ministro Marco Buzzi nega veementemente todas as acusações.
Devido à gravidade do caso e à prerrogativa de foro da função, o ministro passou a ser formalmente investigado em três frentes distintas e simultâneas de poder: no próprio STJ, no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A expectativa é que novos depoimentos e perícias sejam anexados aos inquéritos nos próximos dias.