Indicador medido pelo IBGE na capital federal cravou 0,52% no fechamento mensal, patamar consideravelmente superior à média do país, fixada em 0,16%
O custo de vida para os moradores do Distrito Federal foi o que mais subiu em todo o território nacional durante o mês de junho. De acordo com o relatório do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa brasiliense atingiu 0,52%, garantindo à capital do país a liderança isolada de reajustes entre todos os municípios e regiões metropolitanas auditados pela pesquisa.
A título de comparação, a média de reajustes no cenário nacional avançou de forma muito mais branda, anotando 0,16%. Apesar de o patamar local ter sido elevado o suficiente para posicionar a cidade no topo do ranking de junho, o desempenho representou um ligeiro freio na comparação com o mês de maio, quando o IPCA local havia batido 0,63%. Em contrapartida, frente a junho de 2025 (0,12%), os preços atuais mostram forte aceleração. Com isso, Brasília encerra o primeiro semestre acumulando uma inflação de 3,05% em 2026, com saldo de 4,52% nos últimos 12 meses.
Logística e combustíveis pressionam o bolso do consumidor
O levantamento do IBGE detalha que seis dos nove setores que compõem a cesta de consumo registraram inflação na capital. O vetor de maior peso para o bolso do cidadão foi o segmento de transportes, que computou um salto de 1,83% — sendo isoladamente responsável pelo impacto de 0,41 ponto percentual no índice geral. Esse encarecimento estrutural foi capitaneado pelas passagens aéreas, que saltaram 11,05%, e pela gasolina, cujo reajuste médio foi de 1,74%.
Outras despesas ligadas à mobilidade urbana também apertaram o orçamento familiar. Os serviços mecânicos de conserto automotivo encareceram 2,61%, a aquisição de veículos novos subiu 0,89% e a passagem do ônibus coletivo registrou variação positiva de 3,52% (flutuação decorrente do impacto de gratuidades concedidas em feriados e domingos). Na contramão dos reajustes, as únicas folgas dadas aos motoristas vieram das apólices de seguro veicular (-3,81%), do óleo diesel (-1,82%) e do etanol (-5,11%).
Vestuário, saúde e tarifas públicas em patamares elevados
A esteira de remarcações também alcançou outras frentes do comércio local:
- Saúde e Cuidados Pessoais (+0,43%): Segmento impulsionado por consultas odontológicas (+2,85%), mensalidades de planos de assistência médica (+0,36%) e perfumaria (+1,65%).
- Moda e Vestuário (+0,83%): Altas puxadas principalmente por peças de camisaria masculina (+2,24%) e vestidos (+2,65%).
- Habitação (+0,27%): Pressionada diretamente pela conta de água e esgoto (+3,72%), refletindo o reajuste tarifário homologado de 3,97% que passou a vigorar a partir do dia 1º de junho.
Alimentos trazem alívio temporário à mesa
Por outro lado, o principal colchão de amortecimento contra uma carestia ainda maior veio do setor de alimentação e bebidas, que quebrou um ciclo de três meses consecutivos de alta e fechou junho em queda de 0,21%.
Os carrinhos de supermercado se beneficiaram de recuos importantes no preço do tomate (-7,43%), do corte de alcatra (-4,06%), do arroz (-3,86%), do óleo de soja (-4,17%) e do café moído (-1,88%). No entanto, o alívio não foi irrestrito: o feijão-carioca disparou expressivos 12,79% no período, acompanhado pelo melão (+11,83%) e pelas refeições feitas fora do ambiente doméstico (+0,61%).