PCDF cumpre mandados no DF e em Goiás contra grupo suspeito de usar empresa fantasma para emitir notas fiscais falsas e acobertar comércio ilegal de madeira.
Destaques da Operação
- R$ 5,8 milhões — Montante bloqueado judicialmente e prejuízo estimado aos cofres públicosPDF
- 3 mandados — Ordens de busca e apreensão cumpridas em Vicente Pires (DF) e Cidade Ocidental (GO)
- Até 13 anos de prisão — Soma das penas máximas previstas para os crimes investigados
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (31), a Operação Blackwood, com o objetivo de desarticular um esquema de sonegação fiscal que provocou um prejuízo estimado em mais de R$ 5,8 milhões aos cofres públicos. A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (DOT), integrante do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR).
As investigações miram um grupo empresarial suspeito de utilizar uma empresa de fachada para a emissão de notas fiscais fraudulentas, com a finalidade de encobrir transações irregulares no mercado de madeira.
Estrutura do esquema e ‘laranjas’
Conforme apurado pela corporação, a empresa fantasma estava registrada no nome de um “laranja” e existia exclusivamente no papel para a expedição dos documentos fiscais falsificados. Os reais controladores do esquema pertencem a uma mesma família e são proprietários de madeireiras que operam normalmente no mercado.
A PCDF detalhou que as notas fiscais clonadas ou falsas serviam a dois propósitos principais: dar aparência legal ao transporte e à venda de madeira de origem ilegal e gerar o aproveitamento indevido de créditos tributários, reduzindo drasticamente o montante de impostos pagos pelos empresários.
Histórico ambiental e bloqueio de bens
Os alvos das apurações não são desconhecidos dos órgãos de fiscalização ambiental. De acordo com a Polícia Civil, os investigados já acumulam autuações promovidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) devido a infrações ligadas ao comércio ilícito de madeira.
Para colher novas provas e interromper as atividades ilícitas, o Poder Judiciário deferiu o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em imóveis localizados na região administrativa de Vicente Pires (DF) e no município de Cidade Ocidental (GO). Além disso, a Justiça decretou o bloqueio de R$ 5,8 milhões em contas bancárias, valores e bens atrelados aos investigados para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.
Crimes e desdobramentos
Os envolvidos na operação poderão ser responsabilizados pelas práticas dos crimes de:
- Sonegação fiscal;
- Associação criminosa;
- Falsidade ideológica.
Caso sejam condenados com as penas máximas somadas, os suspeitos podem cumprir até 13 anos de reclusão.
A PCDF informou que o nome “Blackwood” faz alusão ao mercado clandestino e ilegal de madeira, foco central do inquérito. As diligências prosseguem para determinar a dimensão total das perdas fiscais e checar a eventual participação de outros envolvidos na rede criminosa.