Corte de Cassação de Roma reverteu decisão que autorizava o envio da ex-deputada ao Brasil. Zambelli estava detida desde julho de 2025 após condenações definitivas no STF. Palavra final cabe ao governo de Giorgia Meloni.
ROMA (ITÁLIA) – A ex-deputada federal Carla Zambelli obteve uma vitória jurídica crucial no exterior e já se encontra em liberdade. Ela deixou as dependências do presídio feminino de Rebibbia, em Roma, nesta sexta-feira (22 de maio de 2026). A soltura ocorreu logo após a Corte de Cassação de Roma — a instância máxima do Judiciário italiano — anular os acórdãos da Corte de Apelação que haviam autorizado sua extradição para o território brasileiro.
Zambelli comemorou a decisão nas redes sociais, publicando um vídeo ao lado de seu defensor em solo italiano, o advogado Pieremilio Sammarco. Na gravação, a ex-parlamentar declarou: “Consagro a minha liberdade como uma vitória de Deus”.
A Reviravolta Jurídica e os Próximos Passos
A Suprema Corte italiana analisou conjuntamente os recursos da defesa contra dois processos de extradição distintos que tramitavam na segunda instância de Roma. Ambos os pedidos haviam sido chancelados anteriormente em decorrência de condenações criminais sofridas por ela no Brasil.
Apesar da anulação judicial imposta pela Corte de Cassação, o rito diplomático ainda prevê uma etapa política essencial:
- O Aval do Executivo: O desfecho definitivo do caso agora depende do posicionamento oficial do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que integra o governo conservador da primeira-ministra Giorgia Meloni.
- Prazo Legal: O ministro Nordio dispõe de um prazo de até 45 dias para deliberar sobre a extradição e, posteriormente, comunicar formalmente os procedimentos adotados ao governo brasileiro.
Antes do julgamento desta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, já havia acionado o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para que acelerassem as tratativas diplomáticas para a entrega da ex-deputada. Caso o recuo italiano seja revertido politicamente e ela seja extraditada, o plano do sistema prisional brasileiro é recolhê-la na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida popularmente como Colmeia.
O Histórico: Condenações no STF e Prisão em Roma
A ex-parlamentar do PL havia deixado o Brasil em meados de 2025 para evitar o cumprimento de suas penas após os processos transitarem em julgado (quando não cabem mais recursos) no STF. Em 29 de julho de 2025, Zambelli acabou sendo presa pela polícia italiana em um apartamento em Roma. À época, seu nome havia sido incluído na difusão vermelha da Interpol e a Justiça de Roma decretou sua prisão preventiva citando um “grave risco de fuga”.
No Brasil, a ex-deputada acumula duas condenações definitivas que somam mais de 15 anos de reclusão:
- Invasão Hacker: Pena de 10 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo envolvimento na invasão cibernética hacker aos sistemas internos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
- Episódio Armada: Pena de 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A condenação refere-se ao episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando a então deputada sacou uma pistola e perseguiu um homem no meio da rua em um bairro nobre de São Paulo.