Desafios e rumos para o DF: Paula Belmonte projeta o futuro de Brasília

Em entrevista exclusiva, a pré-candidata aponta a desigualdade regional como o principal nó estrutural da capital, defende tolerância zero com a corrupção e detalha planos para saúde, economia e segurança

Com a proximidade de mais um ciclo eleitoral, o Distrito Federal se encontra em um momento crucial de debate sobre os seus rumos e escolhas administrativas. Embora ostente uma das maiores rendas per capita do país e a imponência de sediar os Três Poderes da República, a unidade federativa convive historicamente com o desafio de equilibrar seus contrastes sociais e logísticos. O abismo socioeconômico que separa a infraestrutura do Plano Piloto da realidade vivida pelos moradores de diversas Regiões Administrativas (RAs) tem se consolidado como o ponto central das discussões políticas locais.

Neste cenário de articulações e diagnósticos para o futuro, a empresária e pré-candidata Paula Belmonte detalha suas visões estruturais para a capital. Defendendo um modelo de gestão focado em descentralização de recursos, combate rigoroso à corrupção, digitalização de serviços e diálogo institucional maduro, ela projeta o que considera o caminho ideal para recuperar a confiança da população na classe política e entregar serviços públicos mais eficientes.

Abaixo, confira a íntegra da entrevista com as definições, propostas e o posicionamento da pré-candidata sobre os temas mais urgentes do Distrito Federal.

O Brasiliense: Brasília chega a mais um ciclo eleitoral com desafios históricos in áreas como saúde, mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico. Na sua avaliação, qual é o maior problema do Distrito Federal hoje e por quê?

Paula Belmonte: Se eu tivesse que escolher um problema para começar, diria que é a desigualdade entre o centro e as periferias. Brasília é conhecida como uma cidade rica, com uma das maiores rendas per capita do país, mas essa riqueza não chega a todos da mesma forma. Hoje, o Distrito Federal tem cerca de 198 mil famílias vivendo em situação de extrema pobreza. Esse dado, por si só, mostra que existem muitos DFs dentro do mesmo DF.

Quem mora nas regiões administrativas sabe disso. Falta estrutura de saúde, falta mobilidade de qualidade, falta segurança em muitos lugares. E tudo isso está conectado: quando a desigualdade aumenta, a saúde sofre, a segurança sofre, a educação sofre e a economia perde força.

O maior desafio de um governo é fazer com que o desenvolvimento chegue a todas as regiões administrativas, especialmente às pessoas que mais precisam. Brasília não pode continuar sendo uma cidade rica que convive com bolsões de pobreza e desigualdade tão profundos.

O Brasiliense: Caso seja eleita governadora, qual será a principal marca da sua gestão? Como a senhora gostaria que os brasilienses lembrassem do seu governo ao final de quatro anos?

Paula Belmonte: Eu gostaria de ser lembrada como a governadora que devolveu a confiança das pessoas na política. Quero que, daqui a quatro anos, os brasilienses olhem para trás e vejam um governo que cumpriu o que prometeu, combateu a corrupção com firmeza, cuidou do dinheiro público com responsabilidade e levou serviços de qualidade para todas as regiões administrativas, e não apenas para o Plano Piloto.

Quero deixar como marca uma gestão íntegra, transparente e eficiente, porque a corrupção tira recursos da saúde, da educação, da segurança e de quem mais precisa do Estado. Meu compromisso é fazer do Governo do Distrito Federal um governo que presta contas, que não tem medo da fiscalização e que coloca o interest público acima de qualquer interesse particular.

Também quero que Brasília volte a ser uma referência nacional em gestão pública e em políticas públicas de qualidade. O Distrito Federal reúne condições únicas para inovar, testar soluções e mostrar que é possível oferecer serviços eficientes, humanos e acessíveis. Quero que outros estados olhem para Brasília como exemplo de boa administração, e que os brasilienses sintam orgulho da forma como a cidade é governada.

Combater a corrupção é garantir que o dinheiro chegue onde ele deve chegar: na vida das pessoas. E governar bem é transformar esse dinheiro em escolas melhores, saúde de qualidade, segurança e oportunidades para todos.

O Brasiliense: O Distrito Federal possui características únicas: concentra a capital da República, possui uma das maiores rendas per capita do país, mas também profundas desigualdades sociais entre suas regiões administrativas. Como pretende reduzir essa distância entre o Plano Piloto e as cidades periféricas?

Paula Belmonte: Essa distância não se resolve com discurso, mas com planejamento, investimento e boa gestão. Brasília é uma cidade rica, mas essa riqueza ainda não chega da mesma forma a todas as regiões administrativas. Hoje, são cerca de 198 mil famílias vivendo em situação de extrema pobreza no Distrito Federal, e isso mostra que existem realidades muito diferentes dentro da mesma cidade.

Meu compromisso é descentralizar investimentos e oportunidades. Isso significa ampliar o acesso à saúde, fortalecer a educação, melhorar a mobilidade, incentivar a geração de emprego e renda e garantir que os serviços públicos cheguem com qualidade a todas as regiões, e não apenas ao Plano Piloto.

Também quero modernizar a gestão pública, com digitalização dos serviços, uso de tecnologia e decisões orientadas por dados, para que os investimentos sejam feitos onde a necessidade é maior e o cidadão tenha acesso a um Estado mais eficiente e mais presente.

Não basta anunciar obras. É preciso entregar resultados, acompanhar a execução de cada política pública e garantir que o dinheiro público chegue onde faz diferença: na vida das pessoas.

O Brasiliense: Muitos eleitores demonstram descrença na política e nos gestores públicos. Como a senhora pretende recuperar a confiança da população e aproximar o governo dos cidadãos?

Paula Belmonte: A confiança se recupera com coerência, transparência e resultados. As pessoas estão cansadas de promessas que não saem do papel e de governos que só aparecem em época de eleição.

Meu compromisso é governar de portas abertas, prestar contas de cada decisão importante e tratar o dinheiro público com o mesmo cuidado que qualquer família trata o dinheiro de casa. Quem administra recursos da população tem o dever de explicar cada escolha que faz.

Também quero um governo presente. Eu percorro as regiões administrativas há muitos anos e aprendi que as melhores soluções não nascem dentro de um gabinete. Elas nascem quando o governo escuta quem enfrenta os problemas todos os dias.

Meu objetivo é que, ao final do mandato, as pessoas não digam apenas que tiveram uma boa governadora. Quero que elas voltem a acreditar que a política pode resolver problemas, melhorar a vida das pessoas e ser motivo de orgulho, e não de desconfiança.

O Brasiliense: A saúde pública continua sendo uma das maiores preocupações dos brasilienses. Quais são suas propostas para reduzir filas, ampliar o acesso a especialistas e melhorar a qualidade do atendimento sem comprometer o equilíbrio das contas públicas?

Paula Belmonte: A saúde é uma prioridade absoluta do meu governo. O primeiro passo é fazer uma gestão mais eficiente da rede, porque muitas vezes o problema não é apenas falta de recursos, mas falta de organização e integração.

Quero reduzir as filas com a digitalização do sistema de saúde, integrando prontuários, exames, consultas e regulação. Hoje, o cidadão perde ainda mais tempo porque o sistema é fragmentado. Com tecnologia e inteligência de dados, é possível organizar melhor a fila, aproveitar a capacidade instalada e dar mais agilidade ao atendimento.

Também vamos ampliar o acesso a especialistas, fortalecer a atenção primária e investir em prevenção. Um sistema que previne doenças, acompanha os pacientes e atua de forma integrada é mais eficiente, mais humano e também mais econômico.

Tudo isso será feito com responsabilidade fiscal. Não acredito que gastar mais seja sinônimo de atender melhor. Acredito em gastar melhor, com planejamento, transparência e foco em resultados. Cada real economizado com boa gestão pode ser reinvestido para ampliar o atendimento e melhorar a vida da população.

O Brasiliense: O desenvolvimento econômico será decisivo para o futuro do Distrito Federal. Que medidas pretende adotar para atrair investimentos, estimular o empreendedorismo e gerar empregos de qualidade em Brasília?

Paula Belmonte: O desenvolvimento econômico não acontece por acaso. Ele exige um ambiente de negócios favorável, segurança jurídica e um governo que seja parceiro de quem produz, e não um obstáculo.

Meu objetivo é fazer do Distrito Federal um lugar onde quem quer empreender encontre menos obstáculos e mais oportunidades. Isso significa desburocratizar o Estado, estimular a inovação e fortalecer os pequenos e médios negócios.

Também precisamos atrair novos investimentos e diversificar a economia do Distrito Federal. Brasília não pode depender apenas do setor público. Temos potencial para crescer no turismo, na tecnologia, na saúde, na educação, na economia verde e em tantos outros setores que geram emprego e renda.

Falo disso com a experiência de quem empreende antes de entrar para a política. Eu conheço as dificuldades de quem gera empregos, paga impostos e enfrenta a burocracia todos os dias. Meu compromisso é construir um governo que facilite a vida de quem produz, porque quando o empreendedor cresce, o Distrito Federal cresce junto.

O Brasiliense: Segurança pública é um tema recorrente nas pesquisas de opinião. Qual é a sua estratégia para fortalecer as forças de segurança e, ao mesmo tempo, investir em políticas de prevenção à violência?

Paula Belmonte: Segurança pública exige atuação em duas frentes. A primeira é fortalecer as forças de segurança, com valorização dos profissionais, melhores condições de trabalho, equipamentos adequados, tecnologia e inteligência para combater o crime com mais eficiência.

A segunda é investir em prevenção. Segurança não se faz apenas depois que a violência acontece. Ela também se constrói antes, com escola de qualidade, esporte, cultura, iluminação pública, urbanismo, proteção às mulheres e oportunidades para os jovens nas regiões mais vulneráveis.

Uma frente sem a outra não resolve. O Distrito Federal precisa de uma segurança pública firme contra o crime, mas também inteligente, integrada e capaz de impedir que a violência avance.

O Brasiliense: Governar o Distrito Federal exige diálogo constante com o Governo Federal, o Congresso Nacional e o Judiciário. Como a senhora pretende construir essas relações institucionais, independentemente das diferenças políticas?

Paula Belmonte: Somos a capital da República e isso exige governar com capacidade de diálogo, equilíbrio e maturidade institucional. Sempre construí pontes com quem pensa diferente quando o interesse da população estava em primeiro lugar. É assim que pretendo governar. Vou dialogar com o Governo Federal, com o Congresso Nacional e com o Judiciário com respeito institucional, independência e espírito republicano.

Não acredito em governo movido por disputas políticas. A população espera que as instituições trabalhem juntas para resolver problemas concretos. Meu compromisso é defender os interesses do Distrito Federal acima de qualquer interesse partidário ou eleitoral.

Quem governa Brasília precisa saber dialogar sem abrir mão dos seus princípios. É isso que pretendo fazer: construir parcerias, defender os interesses do Distrito Federal e colocar a população sempre em primeiro lugar.

O Brasiliense: O que a senhora acredita que os brasilienses esperam do próximo governador que talvez ainda não tenham encontrado nos governos anteriores?

Paula Belmonte: Acho que os brasilienses esperam um governo que inspire confiança, entrega resultados, presta contas e trata as pessoas com respeito.

As pessoas estão cansadas de escolher entre promessas e polarização. Elas querem um governo que planeje, que execute, que enfrente os problemas de frente e que tenha coragem de fazer o que é certo, mesmo quando é mais difícil.

Também acredito que esperam um governador que olhe para todo o Distrito Federal. Quem mora em Sobradinho, Ceilândia, Planaltina, São Sebastião ou Santa Maria precisa sentir que o governo trabalha por ele com o mesmo empenho com que trabalha pelo Plano Piloto.

É esse compromisso que quero assumir: fazer um governo íntegro, eficiente e próximo das pessoas, para que Brasília volte a ser referência em gestão pública e em qualidade de vida.

O Brasiliense: Se pudesse deixar uma única mensagem aos eleitores do Distrito Federal neste momento de pré-campanha, qual seria? Por que Paula Belmonte acredita estar preparada para assumir a maior responsabilidade da política brasiliense?

Paula Belmonte: Minha mensagem é de esperança, mas também de responsabilidade. Eu acredito que Brasília pode ser muito melhor do que é hoje. Temos condições de ser referência nacional em educação, saúde, segurança, inovação e qualidade de vida. O que falta não é potencial. É gestão.

Estou preparada porque conheço o Distrito Federal, percorro todas as regiões administrativas, fiscalizo o uso do dinheiro público, ouço milhares de pessoas e construo esse projeto olhando para a realidade de quem vive aqui.

Quero governar com planejamento, transparência, responsabilidade fiscal e coragem para enfrentar os problemas de frente. Meu compromisso é devolver aos brasilienses a confiança de que a política pode melhorar a vida das pessoas.

Chegou a hora de construir um novo capítulo para o Distrito Federal. Um governo que cuide das pessoas, respeite o dinheiro público e faça de Brasília uma referência em gestão e em políticas públicas para todo o Brasil.

O Brasiliense: Em uma frase: qual é a Brasília que a senhora sonha em entregar ao final de um eventual mandato?

Paula Belmonte: Sonho com uma Brasília onde o CEP não determine as oportunidades de uma pessoa e onde todos tenham acesso aos mesmos serviços públicos de qualidade, independentemente da região onde vivem.