Crise bilionária: BRB derrete mais de 90% na Bolsa em cinco anos e aguarda plano de socorro

Refém do “Caso Master”, Banco de Brasília amarga desvalorização histórica de 92% e precisa de R$ 8,8 bilhões para neutralizar prejuízos; balanço financeiro segue atrasado

O Banco de Brasília (BRB) enfrenta o momento mais turbulento de sua história de mercado. As ações da instituição financeira encerraram a última sexta-feira (3) cotadas a R$ 3,02. O valor representa um verdadeiro derretimento de aproximadamente 92% em relação ao preço registrado há cinco anos, quando os papéis eram negociados na casa dos R$ 38.

A desvalorização histórica, que coloca o BRB com uma das maiores perdas entre os bancos brasileiros no período, acentuou-se após os desdobramentos da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). A investigação colocou o BRB no centro de um suposto esquema de corrupção bilionário envolvendo o Banco Master.

Da máxima histórica ao colapso na Bolsa

A trajetória das ações do BRB na Bolsa de Valores desenhou uma linha de extremos nos últimos anos:

  • 2017: Os papéis eram negociados perto de R$ 1,46.
  • Janeiro de 2021: Impulsionadas por uma forte estratégia de expansão e presença de mercado sob a gestão do então presidente Paulo Henrique Costa, as ações atingiram a máxima histórica de R$ 107,69.
  • Julho de 2026: Após sucessivas perdas, o valor recuou para R$ 3,02.

Para o investidor que adquiriu os papéis do banco estatal no auge de sua valorização, em 2021, o prejuízo acumulado hoje já supera a marca de 97%.

  [Jan 2021] R$ 107,69 (Máxima histórica na gestão de expansão) 
       │
       ▼ (Perdas sucessivas e desconfiança do mercado)
  [Jul 2026] R$ 3,02 (Queda de 92% em 5 anos / Perda de 97% desde o pico)

O impacto do “Caso Master” e a prisão do ex-presidente

Embora a curva de desvalorização tenha começado antes das ações policiais, o cenário agravou-se drasticamente com a Operação Compliance Zero. A PF apura suspeitas de irregularidades severas em transações entre o BRB e o Banco Master, incluindo a compra de carteiras de crédito e contratos nocivos ao banco público candango, mediante o pagamento de vantagens indevidas. O prejuízo estimado decorrente dessas operações chega a R$ 8,8 bilhões.

O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por decisão judicial e acabou preso na quarta fase da operação. Ele permanece detido, sendo investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro.

Segundo as investigações da Polícia Federal, o ex-executivo teria recebido seis imóveis de luxo, avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões, transferidos por Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, em troca de favorecimentos nos negócios. Os envolvidos negam qualquer irregularidade.

GDF costura socorro de R$ 6,6 bilhões para recapitalização

Para tentar estancar a sangria e recompor o patrimônio do BRB, o Governo do Distrito Federal (GDF) move-se nos bastidores para fechar um plano de socorro financeiro. A governadora Celina Leão coordena a negociação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. A engenharia financeira conta com a participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e garantias contratuais de bancos públicos e privados.

Detalhes do Plano de RecuperaçãoSituação Atual
Meta de Necessidade do BancoR$ 8,8 bilhões para neutralizar o impacto do Caso Master.
Empréstimo em NegociaçãoR$ 6,6 bilhões estruturados via GDF, FGC e bancos.
Instituições Apoiadoras PlanejadasCaixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Medida ComplementarSecuritização de créditos da dívida ativa do DF.
Status das NegociaçõesFase final; ajustes pendentes em taxas de juros e garantias.

Balanço em atraso alimenta cautela

Outro fator que pesa contra a recuperação da credibilidade institucional do banco é o atraso na divulgação das demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, que ainda não foram publicadas. A administração do BRB justificou que pretende apresentar os dados ao mercado somente após a conclusão da operação de capitalização. Contudo, a falta de transparência contábil no curto prazo eleva a cautela de investidores.

O futuro do principal banco público da capital federal agora depende de três fatores cruciais: o desfecho técnico do aporte bilionário de R$ 6,6 bilhões, a publicação do balanço auditado de 2025 e o avanço dos desdobramentos jurídicos da Polícia Federal.