Tabu de 132 Anos Rompido: Senado Rejeita Jorge Messias e Impõe Derrota Histórica a Lula

Após derrubada da indicação ao STF, oposição bolsonarista articula com Davi Alcolumbre o bloqueio de novos nomes até as eleições; Rodrigo Pacheco surge como única via de consenso

Brasília, DF — Em uma noite que redefine a correlação de forças entre os Poderes na capital, o Senado Federal impôs ao Palácio do Planalto sua mais grave crise institucional em décadas. Com 34 votos a favor e 42 contra, a Casa rejeitou, na última quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). O evento é histórico: uma rejeição desse porte não ocorria há 132 anos, desde 1894.

O resultado, descrito como “acachapante” por aliados e adversários, foi interpretado como o fim da harmonia entre o governo Lula e o Legislativo. Mais do que uma derrota pessoal de Messias, o placar revela as digitais do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria articulado a derrubada do nome após o Planalto ignorar sua preferência por Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o posto.

A Estratégia do Bloqueio: O Modelo Americano

Embalada pela vitória, a ala bolsonarista agora articula uma “moratória” nas indicações presidenciais. Inspirados na manobra dos republicanos americanos contra Barack Obama em 2016, senadores como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Marcos Rogério (PL-RO) defendem que o Senado barre qualquer novo nome enviado por Lula até as eleições de outubro.

O argumento central é que, em ano eleitoral, a escolha de um ministro da Suprema Corte deve ser feita pelo próximo presidente eleito. “O melhor seria não votar a indicação até que o povo decida o rumo que ele quer para o Brasil”, declarou Rogério durante a sabatina na CCJ. Para a oposição, a noite de quarta-feira marcou o “fim político do terceiro mandato de Lula”.

Rodrigo Pacheco: O Único Sobrevivente?

No tabuleiro de sucessão, o nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, aparece como a única alternativa capaz de pacificar a relação. Pacheco, que recentemente migrou para o PSB para disputar o governo de Minas Gerais com apoio do próprio Lula, goza do aval irrestrito de Alcolumbre e de trânsito entre independentes.

Para o senador Efraim Filho (PL-PB), a contaminação do processo eleitoral tornará quase impossível a análise de qualquer outro nome. “Dificilmente haverá análise de um novo nome antes da eleição, a não ser o do Pacheco”, afirmou, indicando que o governo poderá ser forçado a ceder à vontade do Senado para evitar novas humilhações públicas.

O Day After no Palácio do Planalto

Jorge Messias acompanhou a votação visivelmente abatido e, em declaração à imprensa, lamentou o processo de “desconstrução de imagem” que sofreu nos últimos cinco meses. Embora tenha evitado citar nomes diretamente, o ministro da AGU foi enfático: “Sabemos quem fez isso”.

Com a rejeição, o governo Lula entra em maio sob um cerco legislativo sem precedentes. A cadeira de Barroso permanece vazia, tornando-se o maior símbolo da paralisia política que agora ameaça a governabilidade no Distrito Federal e o equilíbrio entre os Três Poderes.