Após 20 anos de silêncio, Leslie Fremar assume ter sido a assistente sênior que inspirou o papel de Emily Blunt e desabafa sobre a “traição” de sua ex-colega de trabalho na Vogue
Nova York, NY — No universo da moda, onde segredos são guardados a sete chaves, uma das maiores incógnitas da cultura pop acaba de ser desvendada. Leslie Fremar, hoje uma das estilistas de celebridades mais influentes de Hollywood, revelou em participação no podcast The Run Through, da Vogue, que ela é a verdadeira identidade por trás da personagem Emily, interpretada por Emily Blunt no clássico cinematográfico de 2006.
A revelação encerra duas décadas de especulações sobre quem seriam os assistentes reais de Anna Wintour que inspiraram o best-seller de Lauren Weisberger, lançado em 2003. “Não, eu sei que sou. Eu sou Emily”, afirmou Fremar, confirmando que as frases ácidas e a tensão do escritório de Miranda Priestly tinham um lastro na realidade.
“Um Milhão de Garotas Matariam por Esse Emprego”
Fremar não apenas se identifica com a personagem, como reivindica a autoria de um dos bordões mais icônicos do filme. Ela foi a responsável por contratar Weisberger na Vogue e recorda o choque cultural entre as duas. “Com certeza eu disse a ela que um milhão de garotas matariam por aquele emprego”, relembrou a estilista. Segundo ela, a frase nasceu de uma frustração real ao perceber que a colega não compartilhava da mesma obsessão pelo trabalho.
O desabafo de Leslie trouxe à tona os bastidores da época, descrevendo uma atmosfera de alta pressão onde a personagem “maldosa” das telas era, na verdade, uma profissional sobrecarregada. “Provavelmente não fui muito gentil e provavelmente estava muito tensa porque sentia que também tinha que fazer o trabalho dela”, disparou Fremar, sugerindo que enquanto ela se dedicava à revista, Weisberger já estaria colhendo material para sua obra de ficção.
Ficção, Realidade e “Traição”
De acordo com a estilista, o manuscrito original recebido por Anna Wintour era “bastante maldoso” e precisou ser suavizado antes de chegar às livrarias. Para Fremar, a transformação de suas vivências em um livro de sucesso global não foi apenas uma jogada comercial, mas algo que “pareceu uma traição” pessoal.
Embora o filme tenha transformado a assistente Emily em uma favorita dos fãs — graças à atuação carismática de Blunt —, para a mulher que viveu os fatos, o retrato serviu como uma exposição pública de um ambiente de trabalho tóxicoque ela levava extremamente a sério. Hoje, consolidada no topo da indústria da moda, Leslie Fremar finalmente reivindica seu lugar na história, provando que na vida real, assim como nas telas, o glamour da Runway exigia um preço alto de lealdade e nervos de aço.