PCDF prende influenciadores em Brasília por fabricação e venda de anabolizantes clandestinos

O Brasiliense — A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Divisão de Defesa do Consumidor (Disco), deflagrou nesta quarta-feira (12/08/2026) a Operação Narciso. A ação investiga uma organização criminosa responsável pela fabricação, armazenamento e distribuição clandestina de anabolizantes, termogênicos e medicamentos de uso controlado.

A Justiça autorizou o cumprimento de diversos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, o bloqueio de cerca de R$ 32 milhões em ativos e bens, além da derrubada de perfis e canais nas redes sociais. O Distrito Federal foi apontado como um dos principais hubs operacionais do grupo.

Envolvidos e Figuras Públicas

Entre os presos na operação estão influenciadores digitais da capital e profissionais do segmento fitness:

  • Casal de Influenciadores de Águas Claras: Apontado como peça central na logística e distribuição. A investigação revelou que um restaurante japonês vinculado ao casal, localizado em Ceilândia, funcionava como ponto de apoio para envio de encomendas via Correios e motoboys.
  • Eduardo Alves: O personal trainer — que ganhou notoriedade nacional em 2022 após um episódio com um homem em situação de rua em Sobradinho — foi detido acusado de atuar como atleta patrocinado e garoto-propaganda de uma das marcas clandestinas.
  • Profissionais da Saúde e Cúmplices: Médicos veterinários são investigados por emitirem receitas falsas para obtenção de substâncias controladas, enquanto nutricionistas e treinadores atuavam na divulgação.

Estrutura do Esquema e Riscos à Saúde

As apurações da PCDF detalham que os produtos eram elaborados sem qualquer padrão de higiene ou autorização sanitária:

  • Produção Artesanal (“Cozimento”): Substâncias orais e injetáveis eram manipuladas artesanalmente em locais sem estrutura adequada, como cozinhas domésticas e fundos de quintal.
  • Falsificação de Origem: Embalagens exibiam rótulos em idiomas estrangeiros para simular produtos importados e regulamentados.
  • Ameaça à Saúde Pública: Um dos itens mais comercializados, divulgado sob o nome “Yellow B”, prometia emagrecimento rápido. A polícia alerta que as fórmulas continham substâncias controladas ou omitidas nos rótulos, representando sérios riscos de intoxicação.

Ramificações Interestaduais

Além do Distrito Federal, a rede mantinha conexões operacionais e de fornecimento de insumos em estados como Goiás, Paraíba, Paraná, Acre e Minas Gerais.

Rodapé — O Brasiliense