EUA afirmam que domínio nas Américas “nunca mais será questionado” e citam captura de Maduro como sinal

O Brasiliense — O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo institucional em que declara que a hegemonia e o domínio norte-americano no Hemisfério Ocidental “nunca mais serão questionados”. A peça publicitária resgata o histórico da Doutrina Monroe para fundamentar as ações de interferência geopolítica e a atual postura de Washington na América Latina.

No material de divulgação, a diplomacia estadunidense aponta a operação militar que resultou na captura e prisão do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, como a demonstração mais recente do poder de influência dos EUA na região.

“A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, diz a legenda oficial da publicação no X.

Apoio Político Regional e Prisão de Maduro

A veiculação do vídeo ocorre em um contexto de apoio explícito do governo Donald Trump a lideranças e grupos da direita na América Latina:

  • Prisão de Nicolás Maduro: O ex-líder venezuelano foi capturado em janeiro e transferido para o território norte-americano, onde permanece preso em Nova York respondendo por acusações de narcoterrorismo.
  • Sinal Hemisférico: Segundo o Departamento de Estado, a captura de Maduro enviou um “forte sinal” a todos os países do continente sobre a determinação das forças norte-americanas.
  • Alianças Políticas: A publicação coincide com movimentações de apoio eleitoral de Trump a aliados no continente, a exemplo de apoiadores de Javier Milei na Argentina e Abelardo de la Espriella na Colômbia.

O Resgate Histórico da Doutrina Monroe

Criada no século XIX pelo então presidente James Monroe sob o lema “A América para os americanos”, a diretriz tinha como premissa inicial barrar novas tentativas de recolonização europeia no continente.

O vídeo produzido pela administração norte-americana repassa momentos históricos emblemáticos — como a independência do Panamá e a construção do canal em 1903, além da Crise dos Mísseis de Cuba em 1962 —, mas omite a participação direta dos Estados Unidos no financiamento e apoio a ditaduras militares na América Latina ao longo do século XX.

Rodapé — O Brasiliense