Celebração chega à sua 144ª edição como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Governadora Celina Leão anuncia projeto de lei para incluir oficialmente o evento no calendário da capital.
PLANALTINA (DF) – A cidade de Planaltina vive, neste sábado (23 de maio de 2026), o ápice da 144ª edição da Festa do Divino Espírito Santo. O evento se consolida como uma das tradições religiosas e socioculturais mais antigas, longevas e simbólicas de toda a história do Distrito Federal. Com uma programação totalmente gratuita que se estende até o domingo, 24 de maio, as festividades mobilizam a comunidade em paróquias, capelas e na zona rural, por meio da tradicional Folia de Roça.
A importância da celebração — reconhecida formalmente como Patrimônio Cultural Imaterial do DF desde 2013 — levou o Poder Executivo a planejar um novo passo de salvaguarda. Presente nas festividades, a governadora Celina Leão anunciou que o Governo do Distrito Federal (GDF) encaminhará à Câmara Legislativa (CLDF) um projeto de lei para incluir a festa de forma oficial no calendário oficial de eventos da capital federal.
A Força da Fé e a União Comunitária
O caráter sagrado e a forte adesão popular foram destacados pelas lideranças eclesiásticas do quadradinho. O cardeal Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo metropolitano de Brasília, ressaltou que a essência e o centro de toda a manifestação estão ancorados na figura do Espírito Santo, funcionando como um elo que expressa de forma viva a união do povo em torno da fé e da comunhão.
Acolhimento e Passagem de Gerações
Um dos pilares da Festa do Divino é a sua rede de hospitalidade e os tradicionais pontos de pouso e apoio montados ao longo do circuito dos fiéis:
- Café das Frutas: O ponto acolhe foliões, comitivas de cavaleiros e turistas oferecendo uma mesa farta com frutas variadas, bolos caseiros, café quente e quitandas típicas da roça. O espaço é mantido de forma voluntária por gerações de famílias locais como um gesto de agradecimento e devoção às bênçãos atribuídas ao Divino.
- Casa dos Idosos: Outro ponto tradicionalíssimo da folia, onde a governadora participou de um café da manhã comunitário ao lado de pioneiros e moradores históricos de Planaltina. Entre eles, o casal de idosos Maria Alice Guimarães (81 anos) e Salviano Guimarães (83 anos) fez questão de exaltar o profundo valor religioso, familiar e de coesão comunitária que o evento espalha pela região.
A preservação da identidade cultural da festa mostra-se viva na linha do tempo das famílias. Joaquim Luís de Sousa, que atua como guia da folia há 35 anos, relatou que carregar a bandeira e conduzir o grupo representa um significado ancestral herdado de seus pais. Essa engrenagem de continuidade se reflete na ponta mais jovem da festa, representada pelo pequeno cavaleiro Bernardo Oliveira, de apenas 11 anos, que acompanha o trajeto a cavalo com seus familiares e destacou a importância das paradas integradas para hidratação, alimentação e descanso de homens e animais durante as longas marchas de devoção.