Diana Ramos assume o comando da PGDF com promessa de criar Escola Jurídica e aproximar órgão das ruas

Com 29 anos de advocacia pública, nova procuradora-geral toma posse no Buriti focada em modernização tecnológica e em projetos educacionais para a periferia.

Por Redação O Brasiliense

Em uma solenidade marcada por forte teor institucional e anúncios estruturais, a procuradora de carreira Diana de Almeida Ramos assumiu oficialmente o comando da Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF). O evento, realizado no Palácio do Buriti nesta quarta-feira (27), reuniu a cúpula do Executivo local, além de magistrados, secretários de Estado e parlamentares, consolidando a troca de guarda na advocacia pública do DF após a saída de Márcio Wanderley.

Com quase três décadas de atuação no funcionalismo público, a nova chefe da PGDF utilizou seu primeiro pronunciamento para estabelecer um compromisso de abertura social da pasta, historicamente vista como estritamente burocrática. Ramos defendeu que o ambiente jurídico precisa atuar como um vetor democrático de ascensão socioeconômica na capital.

Lançamento da Escola Jurídica da PGDF

O principal anúncio prático da cerimônia foi a assinatura do decreto de criação da Escola Jurídica da Procuradoria-Geral do DF. O projeto funcionará como um centro de formação continuada focado em ética, integridade administrativa e capacitação técnica de servidores.

A instituição terá, contudo, uma inédita perna social voltada à comunidade externa. Em parceria com a Secretaria de Educação, procuradores da ativa visitarão colégios da rede pública de ensino do DF para ministrar palestras e incentivar estudantes das periferias a ingressarem nas carreiras de Estado.

[Escola Jurídica da PGDF]
        │
        ├──► Capacitação Interna: Cursos de extensão e ética para servidores
        │
        └──► Projeto Escolas Públicas: Visitas a colégios e incentivo a carreiras do Direito

A estrutura física da escola ocupará inicialmente o quarto andar do antigo prédio da Procuradoria. De acordo com o planejamento financeiro, o custeio das atividades será garantido por verbas do Fundo Pró-Jurídico — fundo setorial legalmente carimbado para a qualificação da advocacia pública —, além de dotações complementares via convênios de cooperação com tribunais e ministérios públicos.

Trajetória e crivo político unânime

Diana de Almeida Ramos é um nome de forte consenso técnico dentro e fora do Buriti. Em seus 29 anos de atuação na advocacia pública do Distrito Federal, acumulou vasta bagagem ao chefiar assessorias estratégicas em áreas transversais e sensíveis do governo, como:

  • Direito Fiscal e Tributário;
  • Direito de Pessoal e Recursos Humanos;
  • Auditoria das pastas de Saúde e Meio Ambiente;
  • Contencioso Militar.

Antes de ser alçada ao topo do organograma, ocupava a cadeira de procuradora-geral adjunta do Consultivo. Sua indicação pela governadora Celina Leão (PP) passou por um rito político impecável na Câmara Legislativa (CLDF): após ser sabatinada e elogiada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ela teve seu nome chancelado de forma unânime pelo plenário com 17 votos favoráveis, ato ato contínuo formalizado com publicação no Diário Oficial (DODF).

“Encontro de princípios” em meio a crises fiscais e no BRB

Ao discursar na cerimônia, a governadora Celina Leão não poupou elogios à nova aliada e relembrou o ambiente de extrema pressão política que marcou as primeiras semanas de sua gestão à frente do Buriti.

“Nós assumimos o governo em menos de 40 dias e tivemos dois grandes problemas: o BRB e a situação financeira do Distrito Federal. Mas eu sempre pedi a Deus que separasse homens e mulheres para caminhar comigo nessa jornada como a Diana. Tenho certeza de que foi um encontro de princípios”, declarou a chefe do Executivo, referindo-se à recente petição de urgência construída pela PGDF perante o STF, que forçou a União a abrir uma mesa de conciliação para salvar o banco estatal da liquidação.

A nova procuradora-geral corroborou as palavras da governadora, classificando o BRB como um “patrimônio essencial do DF” e celebrando o fato de sua posse coincidir com o desfecho positivo da audiência conduzida pelo ministro Luiz Fux. Diana Ramos pontuou que, passada a urgência bancária, os esforços imediatos da procuradoria se concentrarão em reestruturar a própria estrutura da PGDF, classificada por ela como “delicada” e carente de aportes urgentes em segurança cibernética, ferramentas de inteligência artificial e recomposição de quadros técnicos via concurso público.