Requerimento de autoria da senadora Damares Alves obriga o executivo Nelson Antônio de Souza a detalhar a aquisição de ativos que desencadeou a crise na instituição financeira do DF
Por Redação O Brasiliense
O Senado Federal decidiu fechar o cerco para investigar os bastidores da crise institucional e financeira que abala as estruturas do Banco de Brasília (BRB). A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa aprovou um requerimento que obriga o presidente do banco estatal, Nelson Antônio de Souza, a prestar depoimento perante os parlamentares.
O pedido original, apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), propunha um convite inicial de cortesia ao gestor. Contudo, após costuras políticas nos bastidores das comissões, o texto foi convertido formalmente em uma convocação, instrumento jurídico que impõe ao executivo a obrigação legal de comparecimento, sob o risco de responder por crime de responsabilidade em caso de ausência injustificada. A Mesa Diretora da CAE ainda definirá o calendário com a data da oitiva.
O foco da investigação: Ativos sob suspeita
De acordo com as justificativas técnicas apresentadas pela senadora do DF no requerimento, o depoimento do chefe do BRB é considerado o pilar central para desvendar o que causou a rápida deterioração das contas da instituição local ao longo dos últimos meses.
O foco dos senadores está direcionado a um bloco de transações de mercado fechadas entre a instituição distrital e o banco privado Master:
“As operações realizadas entre o BRB e o Banco Master assumem papel central para a compreensão da dinâmica que levou à deterioração da situação econômico-financeira do conglomerado, especialmente diante das informações que indicam a aquisição, pelo BRB, de volume expressivo de ativos originados do Banco Master, com potenciais impactos patrimoniais relevantes”, destacou Damares Alves no documento que baliza os trabalhos do Grupo de Trabalho da comissão.
O objetivo do colegiado é confrontar o presidente do banco sobre os critérios de análise de risco adotados nessas aquisições de ativos, além de obter um raio-X atualizado dos prejuízos contábeis reais e mapear quais os mecanismos de conformidade corporativa e controle de fraudes falharam no processo.
Quem é Nelson Antônio de Souza?
O homem convocado para dar explicações ao Senado é um veterano do sistema bancário nacional e assumiu a cadeira de comando do BRB há pouco mais de seis meses, no fim de novembro de 2025. Nelson Antônio de Souza foi alçado ao cargo após sua indicação pelo Palácio do Buriti obter o crivo unânime da Câmara Legislativa (CLDF) e a validação técnica do Banco Central.
O executivo, que iniciou sua trajetória no mercado financeiro na base da pirâmide institucional como menor aprendiz no Banco do Brasil, construiu uma sólida biografia profissional de mais de quarenta anos:
[Concurso na Caixa (1979)] ──► [Diretor e Super. do FGTS] ──► [Presidência da Caixa (2018)] ──► [Presidência do BRB (2025)]
Souza ascendeu profissionalmente na Caixa Econômica Federal, onde chefiou a Superintendência Nacional do FGTS e a Vice-Presidência de Habitação. Em 2018, atingiu o topo da carreira pública ao assumir a presidência nacional da Caixa durante a gestão presidencial de Jair Bolsonaro. Antes de ser pinçado pelo GDF para o BRB, o executivo comandou o Banco do Nordeste, a agência paulista Desenvolve SP, a Brasilcap e ocupava a vice-presidência da operadora de cartões Elo.
Ao tomar posse no BRB com a missão de reestruturar as finanças do banco, Nelson de Souza prometeu um severo “choque de gestão”, prometendo centrar esforços no fortalecimento imediato dos níveis de liquidez, no arrocho dos controles internos de auditoria e no reforço da governança corporativa — pilares que agora serão testados sob o crivo político do Senado.