“Desarmar a IA”: Em manifesto histórico, Papa Leão XIV lança encíclica com críticas duras às Big Techs

Na apresentação do documento de 105 páginas no Vaticano, pontífice divide os holofotes com Chris Olah, cofundador ateu da Anthropic, que alertou continuar encontrando mistérios pertubadores nos algoritmos.

Por Redação O Brasiliense

Em um movimento histórico que redefine o papel da Igreja Católica diante de uma das maiores transformações econômicas e tecnológicas do século 21, o Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) a sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade). Conforme registrado nas imagens oficiais obtidas pela reportagem, o documento de 105 páginas é considerado o manifesto máximo de seu pontificado. O texto traz uma crítica contundente ao modelo de negócios das Big Techs e convoca líderes globais a regulamentarem e desacelerarem o avanço da Inteligência Artificial.

Com um discurso voltado à governança corporativa e ao impacto de mercado, o pontífice norte-americano estabeleceu o que chama de urgência para “desarmar a IA”, tirando-a do controle exclusivo de poucas e influentes corporações globais para transformá-la em um bem comum.

A ciência encontra a fé: O alerta da Anthropic

O grande destaque do evento de lançamento da encíclica no Vaticano foi uma aliança inesperada entre a fé e o topo do desenvolvimento tecnológico do Vale do Silício. A apresentação contou com a participação inédita de Chris Olah, cientista, cofundador da renomada startup de IA Anthropic e ateu declarado.

Mesmo sob uma perspectiva agnóstica e puramente matemática, o engenheiro de software endossou a preocupação e o tom de urgência do Papa Leão XIV. Em sua fala, Olah chamou a atenção do mundo ao revelar que, à frente das pesquisas avançadas da Anthropic, continua encontrando coisas profundamente misteriosas, inexplicáveis e perturbadoras na caixa-preta dos modelos de Inteligência Artificial de última geração, reforçando que o controle humano sobre essas mentes digitais é muito menor do que as corporações propagam publicamente.

Ao lado do cofundador da startup, Leão XIV rebateu os executivos do setor de tecnologia que costumam classificar qualquer tentativa de restrição estatal ou ética como um entrave à inovação. O Papa defendeu que exigir prudência, avaliações rigorosas e, por vezes, um ritmo mais lento na adoção de modelos de IA não significa opor-se ao progresso, mas sim exercer um cuidado responsável pela sobrevivência da família humana.

Dados como recursos naturais e o perigo da oligarquia digital

De acordo com os trechos detalhados em documento, o pontífice argumentou que os dados digitais gerados pelos indivíduos devem ser tratados de forma análoga aos recursos naturais da Terra, pertencendo, portanto, a toda a humanidade e não a proprietários privados de infraestrutura tecnológica.

O líder religioso rejeitou frontalmente a narrativa de neutralidade tecnológica muito usada pelas empresas:

“Nenhum algoritmo é isento de intenções, pois todos absorvem os valores, incentivos financeiros e pontos cegos de quem os projeta e financia. A concentração desse poder computacional nas mãos de pequenos grupos oligárquicos distorce processos democráticos, molda padrões de consumo de forma opaca e aprofunda as desigualdades globais entre os incluídos e excluídos digitais.”

Olah e o Papa concordaram que as tentativas recentes de grandes corporações criarem “constituições éticas” internas para guiar seus modelos são paliativas e insuficientes se essa moralidade continuar sendo ditada a portas fechadas por um grupo restrito de diretores e acionistas.

A condenação das demissões automatizadas por algoritmos

A encíclica reserva capítulos rigorosos para tratar do mercado de trabalho mundial e das tomadas de decisão corporativas automatizadas. Conforme destacado no subtítulo da matéria exibida em, a Igreja condena veementemente o uso de inteligências artificiais para demitir funcionários humanos sem supervisão sensível.

O Papa alertou que a tecnologia frequentemente força o trabalhador a se adaptar ao ritmo frenético da máquina, em vez de ser desenhada para apoiá-lo e emancipá-lo. Ele declarou que a busca obstinada por lucros maiores não pode justificar escolhas de engenharia que sacrifiquem empregos sistematicamente em larga escala, lembrando que o ecossistema econômico deve permanecer subordinado à dignidade humana e ao bem comum.

O texto encerra banindo moralmente a delegação de decisões sensíveis de demissão, concessão de crédito financeiro ou partilha de direitos a sistemas automatizados frios, que não conhecem a compaixão e operam com bancos de dados contaminados por vieses históricos de raça e gênero.