Barroso afirma que código de ética para o STF é bom e importante

Ex-presidente da Corte defende o papel institucional do tribunal em meio a denúncias envolvendo o Banco Master e pede cautela: “É preciso não pré-julgar e esperar as investigações”.

GUARUJÁ (SP) – O ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu a criação de um código de ética para os magistrados da Suprema Corte. A declaração foi dada na manhã deste sábado (23 de maio de 2026), em entrevista a jornalistas após sua participação em um evento empresarial promovido pelo grupo Esfera, no Guarujá, litoral de São Paulo.

Indagado sobre a implementação de um conjunto de regras éticas — tema que atualmente divide opiniões entre os integrantes do tribunal —, Barroso foi favorável. “A ideia é boa e importante, mas é necessário saber como materializá-la”, ponderou o ex-ministro, que se aposentou e deixou o STF em outubro de 2025.

Defesa da Instituição e Relações com o Banco Master

Durante a coletiva, Barroso foi provocado a comentar as recentes revelações e reportagens veiculadas pela imprensa que apontam supostos laços entre o Banco Master e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Sem citar os nomes dos ex-colegas de plenário de forma direta, o ex-magistrado pediu uma separação clara entre a conduta individual de membros e a relevância da instituição.

“Tem alguma decisão do Supremo favorecendo o Banco Master? Não que eu saiba. Não aconteceu nada errado em decisões do Supremo nessa matéria ou em qualquer outra”, enfatizou Barroso.

Apelo Contra o Pré-Julgamento

Para o ex-presidente do STF, embora o cenário atual gere desgaste para a imagem pública do Judiciário, a credibilidade estrutural da Corte permanece preservada.

O ex-ministro sugeriu cautela e pediu que a opinião pública aguarde a apuração formal do caso pelas autoridades:

  • Visão Institucional: Barroso defendeu que é fundamental “não se deixar contaminar por um episódio ou outro”.
  • Solidez do STF: O jurista garantiu que o papel constitucional e histórico da Corte “não foi minimamente abalado” pelas denúncias.
  • Análise dos Fatos: Ele reconheceu que “há um conjunto de fatos que levaram a uma percepção negativa”, mas concluiu reforçando que é “preciso não pré-julgar e esperar que as investigações terminem”.