Com Darren Beattie no centro da política para o Brasil, bastidores sobre uma possível volta da Lei Magnitsky elevam a tensão diplomática em torno do ministro do STF
A relação entre Brasil e Estados Unidos pode voltar a entrar em zona de turbulência. Nos bastidores de Washington, a possibilidade de uma nova sanção contra Alexandre de Moraes voltou a circular e reacendeu um tema que parecia arrefecido desde dezembro, quando o governo americano retirou o ministro do STF, sua mulher e o Lex Instituto da lista de sanções da Global Magnitsky. Até aqui, porém, não houve confirmação oficial pública de uma nova punição.
O histórico recente ajuda a explicar o tamanho do ruído. Em 30 de julho de 2025, o Tesouro dos EUA sancionou Moraes sob a alegação de violações graves de direitos humanos, medida que congelava eventuais ativos sob jurisdição americana e proibia empresas dos EUA de fazer negócios com o ministro. Em setembro, a pressão subiu mais um degrau, com a inclusão de Viviane Barci de Moraes e do Lex Instituto na mesma engrenagem de sanções.
A reversão veio em 12 de dezembro de 2025, quando o OFAC retirou Moraes, sua mulher e a empresa da lista. A decisão foi lida como um gesto de distensão diplomática entre Washington e Brasília, depois de meses de atritos em torno do julgamento de Jair Bolsonaro, de tarifas comerciais e do discurso americano sobre liberdade de expressão.
Agora, o nome que concentra atenção é Darren Beattie, assessor sênior para a política dos EUA em relação ao Brasil. Nomeado em fevereiro, Beattie já havia provocado desgaste diplomático ao chamar Moraes de “arquiteto central” de um suposto complexo de censura e perseguição contra Bolsonaro. Sua presença numa função estratégica para o dossiê brasileiro é vista como sinal de que o tema segue vivo no radar da administração Trump.
Se a hipótese de uma nova ofensiva sair do bastidor e virar ato formal, o impacto será imediato: voltam as restrições financeiras e comerciais previstas na Magnitsky, além de um novo abalo político numa relação bilateral que vinha ensaiando acomodação. Por enquanto, o que existe de público é um ambiente de pressão renovada — e a certeza de que Moraes continua no centro de uma disputa que já deixou de ser apenas jurídica para se tornar também geopolítica.