Por O Brasiliense
O mercado de aviação e turismo no Brasil foi sacudido por fortes declarações vindas do topo da liderança corporativa. Durante sua participação no Seminário LIDE Turismo, realizado em São Paulo, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, não poupou críticas à gestão do turismo nacional e afirmou categoricamente que o setor realiza um “trabalho medíocre”.
O tom incisivo do executivo direcionou o debate para a incapacidade crônica do país em reverter sua vasta riqueza natural e cultural em divisas financeiras e fluxo contínuo de viajantes internacionais. De acordo com Cadier, o Brasil falha sistematicamente na execução prática de suas potencialidades.
O Contraste com Vizinhos Sul-Americanos
Para fundamentar sua tese, o comandante da maior companhia aérea em operação no mercado doméstico traçou um paralelo incômodo entre o Brasil e outros mercados da América Latina que, teoricamente, dispõem de menos biodiversidade e variedade de biomas:
- Chile e Colômbia: Citados pelo executivo como exemplos de eficiência, uma vez que conseguem atrair um volume proporcionalmente muito maior de turistas estrangeiros.
- O Fator Planejamento: Cadier destacou que esses países vizinhos conseguem compensar a menor quantidade de atrativos naturais nativos por meio de políticas de Estado sólidas, campanhas de marketing internacional agressivas e infraestrutura logística integrada.
Apelo por Competitividade e Redução do Custo Brasil
Além das falhas na promoção dos destinos, o CEO da Latam Brasil aproveitou a vitrine do fórum empresarial para cobrar das autoridades públicas e da iniciativa privada medidas urgentes que ataquem a estrutura de custos do setor privado.
O executivo defendeu que o crescimento sustentável do turismo e a atração de novas rotas aéreas internacionais dependem obrigatoriamente do aumento da competitividade sistêmica do mercado brasileiro. Entre os pontos mais defendidos por lideranças do setor aéreo para mitigar esse cenário — que indiretamente encarece as passagens e afasta o consumidor — estão o reajuste na cobrança de impostos sobre o combustível de aviação e a criação de marcos regulatórios que ofereçam segurança jurídica aos investidores globais pelas próximas décadas.