Acusações contra Alcolumbre e PT da Bahia estremecem bastidores de Brasília em proposta de delação de ex-banqueiro

Por O Brasiliense 

Os bastidores políticos e o Poder Judiciário em Brasília foram sacudidos pelas revelações da nova proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Conforme revelado por reportagem da revista Veja, o ex-banqueiro implicou diretamente o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em um suposto esquema de propina internacional, além de detalhar operações financeiras bilionárias ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia.

A Polícia Federal (PF), no entanto, já se posicionou formalmente contra a homologação do acordo. Em documento enviado ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores rejeitaram a delação por avaliarem que Vorcaro não apresentou fatos novos e omitiu crimes de parceiros comerciais. O material segue sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Suposta Propina de US$ 30 Milhões no Exterior

De acordo com o relato de Daniel Vorcaro aos investigadores, o presidente do Senado teria recebido a vultosa quantia de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 155 milhões na cotação atual). A denúncia aponta que o montante foi depositado em uma conta secreta no exterior após Alcolumbre ter dado apoio político e institucional a demandas de interesse do Banco Master.

A transação financeira internacional, segundo o pré-delator, teria sido operada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro na instituição financeira.

A reação no Congresso Nacional foi imediata. Por meio de nota oficial emitida pela assessoria de imprensa da presidência do Senado, Davi Alcolumbre negou as acusações de forma veemente, classificou-as como caluniosas e anunciou uma contraofensiva jurídica:

“As alegações são absolutamente falsas, não procedem e serão enfrentadas com a máxima firmeza. O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória política, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal”, diz o posicionamento do parlamentar.

O Elo Baiano: O Lucro Bilionário do CredCesta

Além do topo do Poder Legislativo, a proposta de colaboração premiada mira o Palácio do Planalto e a política do Nordeste ao citar o ex-ministro e ex-governador da Bahia, Rui Costa (PT). No trecho que menciona o petista, Vorcaro não faz referência direta a pagamentos de propina, mas promete detalhar a engenharia política e comercial que permitiu ao Banco Master manter o monopólio e o funcionamento do CredCesta — um sistema de empréstimo consignado atrelado diretamente à folha de pagamento dos servidores públicos do Estado da Bahia.

Investigações prévias do portal UOL já haviam demonstrado que essa operação de crédito consignado rendeu lucros na casa dos bilhões de dólares para o grupo econômico do Master. Procurado pela imprensa, Rui Costa tem negado reiteradamente qualquer envolvimento em irregularidades ou favorecimento ilícito à instituição financeira durante sua gestão ou posteriormente.

Defesa Aponta Motivação Política na Rejeição da PF

O clima de desconfiança mútua aumentou após os advogados de Daniel Vorcaro levarem suas queixas diretamente ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Segundo a Veja, a banca de defesa do ex-banqueiro enxerga “motivação política” no endurecimento da PF e da PGR em relação ao acordo.

A equipe jurídica de Vorcaro alega que os órgãos de controle demonstraram falta de interesse deliberada em passar a limpo denúncias de extrema gravidade institucional, citando como exemplo o fato de o suposto pagamento no exterior a Alcolumbre ter sido sumariamente descartado pelos agentes federais no relatório de recusa. O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, orientou sua equipe a examinar todo o calhamaço de depoimentos com cautela extrema, ciente do potencial de desestabilização política do caso em pleno ano eleitoral de 2026.