Ex-presidente do BRB desabafou com visitante no presídio sobre a falta de margem para negociar colaboração premiada com a Polícia Federal
O Brasiliense — Nos bastidores da Ala dos Prisioneiros Especiais (“Papudinha”) do Complexo Penitenciário da Papuda, o clima é de desalento para o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Preso no âmbito da Operação Compliance Zero, o executivo revelou a um visitante a razão pela qual seus planos de fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal travaram.
O diálogo ocorreu durante uma visita ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres, que também cumpre pena no local após condenação ligada à tentativa de golpe de Estado.
Ao notar o semblante abatido de Paulo Henrique, um empresário presente no encontro o questionou sobre o motivo de não apresentar formalmente todas as informações estratégicas de que dispunha às autoridades, utilizando-as como moeda de troca para barganhar benefícios penais e redução de pena junto ao Ministério Público e à Justiça.
Sem “moeda de troca”
A resposta do ex-dirigente do banco público distrital foi direta e escancarou o nível de profundidade das investigações conduzidas pelos investigadores federais:
“Eles já sabem de tudo.”
De acordo com o relato, “eles” refere-se à equipe de investigadores da Polícia Federal responsável pela Operação Compliance Zero. A operação apura esquemas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e repasses irregulares envolvendo a compra de carteiras de crédito sem lastro.
No âmbito do Direito Processual Penal, para que um acordo de colaboração premiada seja homologado, o investigado precisa apresentar provas inéditas, identificar outros coautores até então desconhecidos ou indicar o paradeiro de bens e ativos decorrentes do crime.
Como os levantamentos da PF e as perícias financeiras já teriam mapeado a totalidade das movimentações e transações sob suspeita, Paulo Henrique Costa ficou sem elementos novos para oferecer, inviabilizando qualquer avanço na negociação da delação.
Para entender o ambiente e o contexto das investigações do caso no Distrito Federal, assista ao vídeo Ex-presidente do BRB pede saída da Papuda para encaminhar delação premiada. O material jornalístico traz mais detalhes sobre a movimentação dos advogados de Paulo Henrique Costa junto ao Supremo Tribunal Federal.