Quando a oportunidade chega, a autoestima volta junto: histórias dão rosto ao novo ciclo do RenovaDF

Programa do GDF inicia nova etapa com 1,5 mil alunos e mostra como capacitação pode virar esperança para quem tenta reconstruir a própria vida

Por trás dos números do RenovaDF, existem histórias que explicam melhor do que qualquer estatística por que o programa ganhou relevância no Distrito Federal. O novo ciclo, iniciado nesta quarta-feira (11) com cerca de 1,5 mil alunos, reúne pessoas que não estão apenas começando um curso — estão tentando reconstruir a própria vida.

É o caso de Jedaías Cândido Silva, de 36 anos, que está em situação de rua desde dezembro do ano passado. Selecionado para o curso de auxiliar de manutenção, ele enxerga na oportunidade uma chance concreta de sair da vulnerabilidade e conquistar mais segurança. Seu relato ajuda a traduzir a dimensão humana do programa: para muita gente, a formação técnica representa bem mais do que um certificado; representa a possibilidade de retomar o controle da própria história.

A mesma percepção aparece no depoimento de Maria Erinaldia Cândido, de 55 anos, também aluna do curso. Ao falar sobre a importância da vaga, ela associa o projeto não apenas à geração de renda, mas ao resgate da autoestima. E esse talvez seja um dos efeitos mais poderosos do RenovaDF: devolver confiança a pessoas que, em muitos casos, já haviam sido empurradas para fora das oportunidades formais.

O programa, coordenado pela Sedet-DF, atua justamente nesse ponto de encontro entre formação profissional e ressocialização. Os participantes recebem bolsa de um salário mínimo e aprendem, na prática, atividades ligadas à construção civil e à manutenção urbana, como jardinagem, hidráulica, elétrica, carpintaria e serralheria. Ao mesmo tempo, ajudam a reformar espaços públicos e se reconectam com a ideia de pertencimento e utilidade social.

O impacto acumulado da iniciativa reforça esse papel. Em cinco anos, o RenovaDF já qualificou mais de 30 mil pessoas, e hoje mais de 190 ex-moradores de rua trabalham em empresas que prestam serviços ao governo. Isso mostra que o programa consegue transformar assistência em trajetória, e vulnerabilidade em possibilidade.

Ao incluir também públicos encaminhados pela Secretaria da Mulher e pela Secretaria de Desenvolvimento Social, o novo ciclo amplia sua capacidade de alcançar pessoas que enfrentam barreiras ainda maiores para entrar ou voltar ao mercado.

No fim, o RenovaDF prova que política pública eficiente não é aquela que apenas atende uma demanda imediata, mas a que consegue mexer no horizonte das pessoas. E, quando uma oportunidade chega com formação, renda e perspectiva, ela não muda só o currículo — muda a forma como alguém volta a enxergar o próprio futuro.