Executivo assumiu o comando da instituição em 2019, vindo da Caixa, e conduziu uma gestão marcada por transformação digital, crescimento da base de clientes, avanço do crédito imobiliário e expansão da presença do banco pelo país
Paulo Henrique Costa chegou à presidência do Banco de Brasília (BRB) em 31 de janeiro de 2019, após carreira construída no sistema financeiro, especialmente na Caixa Econômica Federal, onde ocupou cargos de liderança ligados a clientes, transformação digital, controladoria, finanças e gestão de risco. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Católica de Pernambuco, ele também acumula formação executiva pela FGV, Stanford, Universidade de Birmingham e Kellogg School of Management.
Ao assumir o banco público do DF, Costa passou a comandar um ciclo de reposicionamento do BRB. Em seu primeiro ano completo de gestão, o banco fechou 2019 com 639 mil clientes ativos e registrou lucro líquido recorrente de R$ 412,3 milhões, descrito no relatório integrado da instituição como o maior resultado recorrente até então. Naquele momento, o BRB já associava esse desempenho a uma agenda de modernização, novos produtos e aceleração da frente digital.
Um dos principais marcos da passagem de Paulo Henrique Costa no BRB foi justamente a transformação digital. O relatório de 2019 registra o lançamento da primeira agência digital do banco, com atendimento via BRB Chat e ampliação de funcionalidades móveis. Já no primeiro semestre de 2025, o banco informava que 98,5% das transaçõesjá eram realizadas por canais digitais, sinal de uma mudança profunda no modelo de relacionamento com os clientes ao longo da gestão.
A expansão da base de clientes foi outro indicador central desse ciclo. O BRB saiu de 639 mil clientes ativos em dezembro de 2019 para 8,9 milhões ao fim de 2024 e chegou a 9,6 milhões no primeiro semestre de 2025. No discurso institucional do banco, esse crescimento era apresentado como reflexo da estratégia de expansão comercial, digitalização e ampliação de presença no mercado nacional.
Sob sua gestão, o banco também ampliou sua presença física e operacional fora do Distrito Federal. No encerramento de 2024, o BRB informava ter 1.042 pontos de atendimento em 19 estados mais o DF, além de expansão por meio de correspondentes bancários. A instituição se apresentava, naquele momento, como um banco de atuação nacional, deixando para trás a imagem de um banco estritamente regional.
Na área de negócios, um dos destaques foi o avanço do crédito imobiliário. O BRB informou que se tornou líder no Distrito Federal desde 2020 nessa modalidade e, no primeiro semestre de 2025, dizia ocupar a quinta posição nacionalno ranking do setor, com carteira habitacional de R$ 13,5 bilhões. Em 2024, a carteira imobiliária do banco somava R$ 12,014 bilhões, com crescimento de 29,7% em 12 meses, reforçando o peso desse segmento na estratégia comercial da instituição.
Os números financeiros também cresceram nos anos finais da gestão. O BRB encerrou 2024 com lucro líquido recorrente de R$ 282 milhões, ativos totais de R$ 61 bilhões e carteira de crédito de R$ 43,1 bilhões. No primeiro semestre de 2025, o banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 518 milhões, ativos de R$ 74,5 bilhões e forte expansão em captação e crédito, consolidando um período de crescimento expressivo.
A trajetória de Paulo Henrique Costa à frente do BRB foi interrompida em novembro de 2025, quando ele foi afastado por decisão judicial no contexto das investigações sobre operações envolvendo o Banco Master. Apesar do desfecho conturbado, seu período no comando do banco ficou marcado, do ponto de vista institucional e de mercado, por uma combinação de expansão acelerada, digitalização, crescimento do crédito e tentativa de reposicionar o BRB como player nacional.