Nova fase da investigação apura lavagem de dinheiro, corrupção, crimes financeiros e organização criminosa; defesa diz que mandado tem natureza processual e nega que a medida signifique responsabilização penal
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16) a 4ª fase da Operação Compliance Zero e prendeu, em Brasília, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Segundo a nota oficial da corporação, a nova etapa investiga um esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Ao todo, estão sendo cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e em São Paulo.
De acordo com reportagens publicadas nesta manhã, a investigação mira a atuação de Costa em negócios envolvendo o Banco Master. A suspeita é de que ele tenha permitido operações sem lastro e em desacordo com práticas de governança e compliance do banco público. A CNN Brasil informou que a PF apura se o ex-presidente do BRB teria recebido cerca de R$ 140 milhões para viabilizar a tentativa de compra do Master; já o SBT News noticiou que a investigação fala em transferências que chegariam a R$ 146,5 milhões, por meio de imóveis.
Em nota ao Correio Braziliense, o advogado Cleber Lopes, que representa Paulo Henrique Costa, confirmou a operação e afirmou que o mandado de prisão tem “natureza processual, e não de responsabilidade penal”. Segundo o jornal, Costa já havia dito anteriormente à PF que não tinha clareza sobre o suposto esquema envolvendo o Master e que os documentos recebidos pelo BRB não indicavam problemas de saúde financeira da instituição.
O caso atual é desdobramento de uma investigação mais ampla iniciada em 2024. Na 1ª fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025, a PF informou que apurava a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira, vendidas a outro banco e depois substituídas por outros ativos sem avaliação técnica adequada. Na ocasião, a corporação disse investigar gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
O pano de fundo do caso também envolve a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a operação, que estava em análise desde março. Depois, em novembro de 2025, o Master entrou em liquidação extrajudicial, conforme comunicado do BC. Esse histórico ajuda a explicar por que as relações entre as duas instituições passaram a ser um dos focos centrais da investigação.
À frente do BRB entre 2019 e 2025, Paulo Henrique Costa construiu carreira no sistema financeiro antes de chegar ao comando do banco público do DF. Agora, com a nova fase da Operação Compliance Zero, ele passa a ser um dos principais alvos de um inquérito que ganhou dimensão nacional e voltou a colocar o caso BRB-Master no centro da agenda política e econômica de Brasília.