Por O Brasiliense
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), a terceira fase da Operação Bypass. A ação visa desarticular uma organização criminosa de atuação interestadual especializada em invadir o sistema informatizado do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) para apagar multas, alterar débitos de veículos e regularizar ilegalmente Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) que estavam suspensas ou cassadas.
A nova etapa da ofensiva cumpriu três mandados de prisão temporária e ordens de busca e apreensão expedidas pela 7ª Vara Criminal de Brasília. A Justiça determinou ainda o bloqueio judicial de bens, ativos financeiros e criptoativos dos envolvidos no valor de até R$ 12,06 milhões.
Prejuízo Diário de R$ 134 mil aos Cofres Públicos
De acordo com os investigadores, a quadrilha operava com uma estrutura hierárquica bem definida e divisão clara de tarefas para garantir a execução das fraudes eletrônicas:
- Núcleo Tecnológico: Focava no desenvolvimento de ferramentas digitais e na identificação de vulnerabilidades sistêmicas para romper a segurança do banco de dados do Detran-DF.
- Núcleo Comercial: Atuava diretamente na captação de motoristas e proprietários de veículos interessados nos serviços ilegais, utilizando anúncios disfarçados em redes sociais.
- Núcleo Financeiro: Gerenciava a lavagem de dinheiro e o fluxo dos pagamentos recebidos de forma ilícita.
A PCDF estima que a facilidade com que o grupo limpava as pendências de infratores gerava um rombo diário de aproximadamente R$ 134 mil na arrecadação do Distrito Federal.
Penas Podem Chegar a 32 Anos de Prisão
Com os desdobramentos das três fases da Operação Bypass, o número total de prisões já chega a nove. Os suspeitos são investigados por crimes como organização criminosa, invasão de dispositivo informático, fraude eletrônica, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Se condenados, as penas somadas podem alcançar até 32 anos de reclusão.
O inquérito policial segue sob sigilo para que os agentes possam mapear a extensão da rede criminosa em outros estados e identificar condutores que pagaram pelas fraudes para regularizar a situação de seus veículos ou carteiras.