Lançamento de romance do deputado Max Maciel lota livraria na Asa Norte

Por O Brasiliense

A noite da última quarta-feira (10 de junho) movimentou a cena literária e política da capital federal. O Paradeiro, espaço cultural localizado na 309 Norte, ficou completamente lotado para o lançamento de “Filhos do Pó Vermelho”, romance de estreia do deputado distrital, pedagogo e ativista social Max Maciel. O evento registrou uma fila de autógrafos que se estendeu por cerca de quatro horas, reunindo leitores, educadores, artistas e lideranças de movimentos sociais.

Publicado pela Avá Editora, o livro marca a primeira incursão de Max na ficção de fôlego. A obra é fruto de uma bagagem acumulada em décadas de atuação comunitária em Ceilândia e em outras regiões administrativas do Distrito Federal, trazendo as vivências das quebradas para o centro da produção literária local.

Da Crônica ao Romance: A Construção da Obra

Nascido e criado em Ceilândia, o parlamentar revelou que o projeto literário começou a ganhar forma de maneira despretensiosa, quando decidiu resgatar o hábito de escrever textos curtos. A princípio, o planejamento previa a produção de crônicas isoladas e roteiros para episódios de podcast. No entanto, os relatos ganharam complexidade e profundidade psicológica.

“Eu comecei escrevendo crônicas. Depois percebi que aqueles personagens tinham mais para contar. As histórias foram evoluindo em capítulos e, quando vi, estava escrevendo um livro. São histórias que eu ouvi durante muitos anos de trabalho social. Histórias de mães, trabalhadores, jovens, artistas, pessoas que enfrentavam a violência e a ausência do Estado, mas ainda encontravam força para sonhar”, relatou o autor durante o evento.

Nova Alvorada e o Retrato das Periferias do DF

A trama de Filhos do Pó Vermelho se passa na fictícia comunidade de Nova Alvorada e cobre o arco temporal entre os anos 1980 e o início dos anos 2000, período marcado pelo crescimento urbano acelerado e pela consolidação das periferias no DF. A narrativa acompanha a jornada de Jonas, um jovem cercado pela vulnerabilidade social, subemprego e violência institucional.

Contudo, a carência dá lugar à potência. O livro joga luz sobre redes de solidariedade, afetos e manifestações culturais que ditam o ritmo do território. A educação desempenha um papel revolucionário na vida do protagonista, funcionando como a ferramenta de expansão de horizontes.

O pano de fundo é enriquecido por figuras emblemáticas como Dona Maria, que ilustra a liderança de mulheres chefes de família em condições adversas, e Lia, personagem que personifica o desejo de ingresso na universidade pública. Costurado com referências ao rap nacional, debates sobre o racismo estrutural e consciência de classe, o livro de Max Maciel se consolida como um mosaico fiel e necessário da identidade periférica brasiliense.