Com previsão de quase 40 mil novos casos no país, especialistas reforçam que consultas odontológicas de rotina são decisivas para detectar tumores em fases iniciais
O mês de julho é marcado nacionalmente pela campanha Julho Verde, um período dedicado a conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. Instituída pela Lei nº 14.328 em 2022, a mobilização conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da União Internacional para o Controle de Câncer (UICC), lançando luz sobre tumores que afetam áreas como boca, língua, gengiva, bochecha, laringe, faringe e tireoide.
De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 39.550 novos casosde câncer de cabeça e pescoço anualmente. O grande desafio das autoridades de saúde é reverter o diagnóstico tardio: a maioria dos casos ainda é descoberta em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de cura e aumenta a necessidade de tratamentos invasivos.
O papel do dentista vai muito além dos dentes
Uma das principais barreiras para o diagnóstico precoce é o desconhecimento de que o cirurgião-dentista é um profissional habilitado para identificar os primeiros sinais da doença. Durante uma consulta de rotina, o exame clínico abrange toda a mucosa bucal e a região do pescoço.
A dentista Geisa Cantelli, especialista em ortodontia, explica que muitas lesões iniciais são totalmente assintomáticas, o que faz com que o paciente demore a procurar ajuda por conta própria.
“Durante o atendimento, o dentista não avalia apenas os dentes. Toda a cavidade oral é examinada, o que torna possível identificar alterações que passariam despercebidas pelo próprio paciente. Feridas que não cicatrizam, manchas e nódulos devem ser imediatamente investigados por um especialista”, alerta Cantelli.
Dra. Geisa Cantelli – Créditos: Guilherme Rico
Sinais de alerta: Quando acender a luz vermelha?
A recomendação médica é de que qualquer alteração persistente na região bucal ou cervical seja avaliada por um profissional. Os principais sintomas que merecem atenção incluem:
Feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias;
Manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengiva ou bochechas;
Nódulos (caroços) persistentes no pescoço;
Dificuldade ou dor para mastigar, engolir ou movimentar a língua;
Rouquidão ou mudanças na voz que durem mais de duas semanas.
Fatores de risco e prevenção
O câncer de boca e de laringe tem uma relação direta com o estilo de vida. O Ministério da Saúde aponta que a combinação de hábitos nocivos multiplica as chances de desenvolvimento da doença.
Além desses fatores, a exposição prolongada ao sol sem proteção (principal causa do câncer de lábio) e uma dieta pobre em frutas, legumes e verduras — que diminui a barreira de defesa antioxidante do corpo — também elevam os riscos.
A importância do tratamento multidisciplinar
Quando o tumor é detectado, o plano terapêutico exige a integração de uma equipe multiprofissional. A assistência envolve oncologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço, radioterapeutas, cirurgiões-dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.
Essa sinergia entre diferentes áreas da saúde é fundamental não apenas para eliminar o tumor, mas para preservar funções vitais do paciente, como a fala, a mastigação, a deglutição, a respiração e, consequentemente, garantir uma melhor qualidade de vida pós-tratamento.
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação e a experiência do usuário. Ao clicar em "aceitar", você concorda com o uso de todos os cookies.