Diretor usa lição de ‘Batman’ para rechaçar ataques racistas à escalação de Lupita Nyong’o como Helena de Troia: “Ninguém sabe o que o filme é ainda”
O diretor Christopher Nolan quebrou o silêncio e respondeu de forma contundente ao ruído digital que tenta manchar o lançamento de A Odisseia, seu mais novo e ambicioso projeto cinematográfico. O longa-metragem, que adapta o clássico poema épico de Homero para a linguagem do cinema moderno, chega às telas de todo o mundo nesta quinta-feira (16).
Nas últimas semanas, a produção virou alvo de debates acalorados nas redes sociais após o comentarista conservador norte-americano Matt Walsh e o magnata Elon Musk criticarem publicamente a escolha da atriz vencedora do Oscar Lupita Nyong’o para o papel de Helena de Troia. Walsh disparou na plataforma X (antigo Twitter) que “ninguém no planeta realmente acha que Nyong’o é ‘a mulher mais bonita do mundo’”, enquanto Musk acusou o cineasta de alterar a etnia da personagem visando apenas “agradar comitês de premiações”.
O Antídoto de Gotham contra o Hype Negativo
Em entrevista concedida ao tradicional jornal britânico The Telegraph, Nolan esbanjou pragmatismo ao blindar sua obra e diminuir o peso das opiniões precoces da internet:
“Essas conversas que acontecem antes de as pessoas verem o filme são sempre irrelevantes, porque ninguém sabe o que o filme é ainda. Tudo o que posso fazer é o melhor filme que eu puder, da maneira mais sincera possível. É muito diferente de como qualquer outra pessoa faria, mas é isso que é uma adaptação”, declarou o diretor.
O cineasta relembrou sua experiência à frente da aclamada trilogia de Batman: O Cavaleiro das Trevas para justificar seu desapego à patrulha ideológica dos fóruns virtuais.
“Naquela época, roteiristas e artistas já trabalhavam com esse personagem tão querido há quase 65 anos, e havia muitas ideias carregadas de significado sobre o que ele representa. O que aprendi durante meu tempo nessa trilogia é que você não pode se preocupar com nada disso. O que você precisa fazer é honrar o texto original, interpretando-o da maneira mais impactante possível”, pontuou.
Mitologia de Ninguém, Cinema de Todos
Lupita Nyong’o também se manifestou sobre os ataques e adotou uma postura de total desdém em relação aos críticos de plantão. A atriz enfatizou a natureza fabular do material de origem para encerrar o assunto.
“Estamos adaptando uma obra mitológica. Nosso elenco é representativo do mundo atual. Não vou perder meu tempo pensando em uma defesa. As críticas existirão, quer eu responda a elas ou não”, cravou Lupita.
Um Olimpo de Estrelas em Hollywood
Apesar do foco midiático e da cortina de fumaça preconceituosa sobre a personagem de Helena de Troia, A Odisseia conta com um dos elencos mais imponentes da filmografia recente de Nolan. O épico homérico reúne colaboradores frequentes do diretor e grandes nomes da nova geração da indústria.
| Ator / Atriz | Personagem Mitológico | Papel na Trama |
|---|---|---|
| Matt Damon | Odisseu (Ulisses) | O herói grego em sua jornada de 10 anos de retorno para casa. |
| Anne Hathaway | Penélope | A rainha de Ítaca que aguarda fielmente pelo marido. |
| Tom Holland | Telêmaco | O filho de Odisseu que protege o palácio dos pretendentes. |
| Zendaya | Atena | A deusa da sabedoria que atua como mentora e protetora de Odisseu. |
| Robert Pattinson | Antínoo | O líder arrogante dos pretendentes que tentam usurpar o trono. |
| Charlize Theron | Calipso | A ninfa que retém o herói em sua ilha paradisíaca. |
A superprodução da Universal Pictures conta ainda com Jon Bernthal (Menelau), Benny Safdie (Agamenon), Mia Goth (Melanto), além de participações de John Leguizamo, Elliot Page, Himesh Patel e Logan Marshall-Green.