Em pronunciamento no Senado, Damares nega rompimento com Flávio Bolsonaro e denuncia violência política de gênero

Senadora do Republicanos-DF reitera fidelidade ao grupo de Jair Bolsonaro, repudia ataques morais de supostos aliados e aciona advocacia da Casa para representação legal

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) subiu à tribuna do Senado Federal nesta segunda-feira (13/7) para fazer um contundente pronunciamento de autodefesa. No discurso, a parlamentar negou categoricamente qualquer rompimento político com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e lamentou o que chamou de “fogo amigo” vindo de setores que considerava aliados ao seu próprio campo ideológico.

O pronunciamento ocorre em meio a especulações de bastidores sobre um suposto distanciamento de Damares das articulações da pré-campanha presidencial da direita, o que motivou uma onda de hostilidades contra ela nas redes sociais.

“Eu sou do time”: Alinhamento com Flávio Bolsonaro

Ao rebater os boatos de afastamento, Damares fez questão de reforçar sua identidade bolsonarista e seu compromisso com a candidatura indicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para as eleições de outubro.

“Estou apanhando porque eu supostamente abandonei o candidato da direita. A direita tem mais de um pré-candidato agora. A direita não tem só um pré-candidato, tem mais de um, mas o candidato, o pré-candidato indicado pelo ex-presidente Bolsonaro é o Flávio. Eu sou uma bolsonarista e o Flávio Bolsonaro ainda é o meu pré-candidato. Ele é o indicado pelo presidente Bolsonaro e eu sou do time”, cravou a senadora.

Denúncia de violência política de gênero e ataques à honra

A senadora relatou que as críticas políticas rapidamente degringolaram para ataques pessoais sistemáticos contra a sua vida privada. Visivelmente indignada, ela classificou a campanha de difamação como um caso clássico de violência política de gênero.

  • Ataques Pessoais: Damares revelou que os detratores passaram a espalhar boatos de que ela estaria envolvida em um relacionamento extraconjugal. “Inclusive, um dos ataques que eu recebi é que tenho amante, pastor, casado”, desabafou.
  • Ofensiva Jurídica: Diante da gravidade das acusações, a parlamentar informou que a advocacia do Senado Federal foi acionada e prestará auxílio técnico para abrir representações cíveis e criminais contra os responsáveis pela articulação e propagação das fake news.
  • Solidariedade: A parlamentar fez questão de registrar um agradecimento especial à bancada feminina do Senado, que prestou apoio suprapartidário diante das agressões de cunho moral.

⚡ Embates internos e apelo ao conservadorismo

A crise envolvendo o nome de Damares Alves escancara fraturas na articulação da direita para o pleito deste ano. O distanciamento temporário da senadora de agendas públicas de campanha havia sido ironizado publicamente por figuras influentes do próprio grupo:

  • Eduardo Bolsonaro: O deputado federal compartilhou em suas redes uma postagem sugerindo que a senadora “saiu da campanha sem nunca ter entrado”.
  • Influenciadores: Damares tem sido alvo constante de críticas ácidas por parte de influenciadores do núcleo duro conservador, como Paulo Figueiredo e Oswaldo Eustáquio.

Em seu discurso, a senadora saiu em defesa de sua forte aliança com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, chamando-a de amiga pessoal e definindo-a como “uma mulher digna” que “não trai” e “não se corrompe”.

Ao finalizar seu tempo no Plenário, Damares proferiu um apelo direto aos militantes e lideranças de seu espectro partidário:

“Parem de atacar os seus soldados! Não é dessa forma que vocês vão mostrar para o Brasil que é muito bom ser conservador”, concluiu.