IBGE estuda incluir comercialização de drogas ilícitas no cálculo do PIB brasileiro

Medida atende a manuais de estatística da ONU para evitar distorções econômicas. Primeira divulgação com a nova metodologia está prevista para 2028.

Por O Brasiliense

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trabalha na elaboração de uma metodologia para incluir a estimativa da comercialização de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A reformulação faz parte da revisão periódica do Sistema de Contas Nacionais (SCN), realizada a cada dez anos, e os primeiros resultados oficiais estão previstos para 2028.

O órgão ressalta que a mudança não legaliza a atividade nem passa a mensurar crimes em geral. O objetivo estritamente estatístico é capturar recursos financeiros que efetivamente circulam no país, evitando distorções no cálculo do consumo e da poupança das famílias.

Por que atividades ilegais entram nas Contas Nacionais?

Segundo as diretrizes do System of National Accounts (SNA) da Organização das Nações Unidas (ONU), uma transação econômica voluntária entre comprador e vendedor deve figurar na contabilidade nacional, mesmo que o produto transacionado seja proibido por lei.

Quando uma família despende renda na compra de um item ilegal e esse valor não é contabilizado, a estatística oficial gera uma falsa impressão de acúmulo de poupança, distorcendo os indicadores de renda e gastos reais da população. Países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Espanha já utilizam essa metodologia.

“O objetivo é estimar uma atividade econômica que efetivamente movimenta dinheiro e, dessa forma, evitar que parte da produção, da renda e dos gastos realizados no país fique fora das estatísticas econômicas.” — detalha a diretriz técnica do instituto.

A Fórmula do Cálculo

Como o mercado ilegal opera na clandestinidade, a medição não utiliza os dados diretos de apreensões policiais, partindo da demanda de consumo. A estimativa básica cruza três variáveis principais:

  • Consumo Total: Número estimado de usuários × consumo médio individual × preço praticado no mercado.
  • Origem da Oferta: Separação entre a produção nacional e o volume que entra no país via importação ilícita (contrabando).
  • Valor Adicionado Bruto (VAB): Subtração dos custos de insumos operacionais para identificar o ganho real gerado pela atividade.

Panorama da Revisão Metodológica

ParâmetroDetalhes do Projeto
Órgão ResponsávelInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Previsão de Divulgação2028 (Revisão Decenal do Sistema de Contas Nacionais)
Atividade AnalisadaComercialização de drogas ilícitas (mercado informal/ilegal)
Fundamentação TécnicaSystem of National Accounts (ONU / Eurostat)
Referências InternacionaisReino Unido (desde 2014), França, Alemanha, Itália, Espanha e Holanda
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