Geração que “não ganhou nada” tenta afastar fantasmas em duelo decisivo contra o Paraguai

A seleção da Alemanha entra em campo nesta segunda-feira (29 de junho), às 17h30, para enfrentar o Paraguai pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. No entanto, o verdadeiro adversário dos tetracampeões mundiais parece ser o peso psicológica do passado recente. Longe do favoritismo histórico e blindada por uma postura visivelmente tensa, a equipe tenta evitar o terceiro vexame consecutivo em Mundiais e provar que consegue caminhar com as próprias pernas.

O elenco atual carrega o incômodo rótulo de pertencer a uma transição que falhou nos palcos principais. Desde o título no Brasil em 2014, os germânicos acumularam eliminações vexatórias na fase de grupos em 2018 (Rússia) e 2022 (Catar). A pressão interna é tão latente que os próprios líderes do grupo decidiram expor publicamente a cobrança por resultados, abandonando o tradicional discurso diplomático nas coletivas de imprensa.

Neuer é o último sobrevivente de 2014

O forte tom de autocobrança foi sintetizado pelo experiente volante Joshua Kimmich. O jogador do Bayern de Munique — que tinha apenas 19 anos quando os alemães levantaram a taça no Maracanã — mandou um recado direto ao elenco ao lembrar as prateleiras vazias desta geração.

“Tirando o Manuel (Neuer), ninguém mais aqui ganhou nada ainda. Dá para perceber que existe uma fome especial de conquistar algo grande. Especialmente os jogadores mais jovens sabem valorizar a oportunidade de fazer parte deste grupo”, disparou Kimmich.

De fato, o goleiro Manuel Neuer é o único elo restante do grupo comandado por Joachim Löw em 2014. Todos os outros atletas em atividade vestindo a camisa da Nationalelf nasceram para o futebol internacional em meio ao ciclo de crises da federação alemã.

O mistério de Julian Nagelsmann

Embora tenha quebrado o tabu e avançado de fase após oito anos de quedas precoces, o futebol apresentado pela Alemanha ainda não convenceu. O técnico Julian Nagelsmann demonstrou forte preocupação com a oscilação física de seus comandados na última rodada e ligou o sinal de alerta para o jogo eliminatório contra os paraguaios.

“Temos que mostrar a nossa melhor versão, dar o nosso máximo em campo, caso contrário voltaremos para casa. Os jogadores sabem disso. Contra o Equador, alguns jogadores não estavam em seu melhor ritmo”, alertou o treinador.

Questionado de forma incisiva pela imprensa europeia sobre quais ajustes táticos faria para furar a conhecida retranca sul-americana, Nagelsmann optou pelo mistério e blindou o vestiário: “Precisamos mudar muita coisa, mas não vou comentar isso com vocês”, encerrou. Quem perder o confronto de logo mais dá adeus definitivo à América do Norte.