Instalação e importação, no entanto, geram receio pelo alto custo envolvido
Por: Laura Paulino (Conversion) – Foto: FreePik
A energia solar tem ganhado espaço como alternativa de energia limpa e renovável, que contribui para o meio ambiente e reduz os custos mensais da população. O Brasil, inclusive, registrou recorde de instalações dessa modalidade em 2024, de acordo com relatório da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).
O Brasil adicionou 14,3 gigawatts (GW) à matriz energética em 2024, alcançando 52,2 GW de potência operacional acumulada em energia solar. Em comparação com o ano anterior, 2023, houve alta de 30% nos aportes, totalizando R$ 54,9 bilhões.
Uma das regiões do país que mais aposta na instalação de energia solar é o Distrito Federal (DF), que se configura como um polo promissor, por ser uma região geograficamente estratégica no Centro-Oeste, com alta incidência solar.
A partir de outubro de 2025, a conta de luz dos moradores subiu, em média, 11,65%.
Além de reunir condições propícias, a energia solar no DF é uma alternativa para ajudar a reduzir esses custos.
Alto número de instalações na região
Foram instaladas 6,2 mil novas unidades de energia solar no Distrito Federal em 2024, totalizando 70,6 megawatts de potência.
A região é considerada um dos maiores potenciais fotovoltaicos do país, com 30,9 mil unidades consumidoras com sistemas de energia solar instalados. Entre elas, 13.843 instalações estão em residências, segundo dados da Neoenergia Brasília.
Brasília, inclusive, lidera o ranking municipal de potência instalada, de acordo com a Absolar. A entidade também revela que, desde 2012, a expansão da energia solar no DF atraiu cerca de R$ 2 bilhões em investimentos, além de gerar mais de 12 mil empregos e arrecadar mais de R$ 600 milhões aos cofres públicos.
Energia solar no DF reduz valor da conta de luz
A adoção de energia solar surge como uma das estratégias para reduzir a conta de luz. Depois de instalar o sistema, o publicitário Sândro Brito afirma que notou redução significativa. Além disso, ele avalia mais benefícios.
“Antes, pagava R$ 840. Agora, são apenas R$ 80. Inacreditável. Também decidimos instalar mais aparelhos de ar-condicionado. A energia solar nos deu a liberdade de usar mais energia sem nos preocupar tanto com os custos”, diz o publicitário de 52 anos, ao Jornal de Brasília.
Estelita Bites, de 71 anos, também relata uma redução de custos significativa. A modalidade vai além da economia e se caracteriza pela facilidade do sistema e pelos benefícios ambientais.
“Minhas contas eram de R$ 400 a R$ 500. Hoje, variam de R$ 100 a R$ 200. O monitoramento remoto facilita tudo. A empresa me avisa quando há algum problema e faz os reparos. A limpeza das placas também é simples e acessível. Durante o período de garantia, está inclusa. Depois, o custo é simbólico”, afirma a aposentada.
Custos iniciais ainda são desafio
Apesar das vantagens, ainda há desafios para o mercado de energia solar no Brasil, como o aumento da alíquota do imposto de importação de módulos fotovoltaicos, que passou de 9,6% para 25%, contribuindo para elevar em 13% o custo dos sistemas residenciais.
“Quem tem condições de investir em energia solar paga menos, mas a coletividade arca com custos maiores”, pontua Walberto Oliveira Filho, especialista em direito de energia.
Além disso, a dependência de equipamentos importados é um obstáculo. Cerca de 70% dos painéis solares vêm da China, e o aumento dos preços desses equipamentos em 30% nos últimos anos dificultou o acesso à tecnologia.
O custo inicial de instalação é alto, o que pode afastar potenciais usuários sobre a visão ampla de benefícios financeiros e ecológicos em longo prazo.