Brasília e Goiânia lideram entre as capitais mais atrativas para negócios voltados ao público de luxo; novo indicador revela que a demanda reprimida e o dinamismo regional estão redesenhando as oportunidades para investidores
Por Redação O Brasiliense
Durante décadas, o mercado imobiliário brasileiro operou sob uma lógica centralizadora: São Paulo e Rio de Janeiro detinham o monopólio dos grandes lançamentos e do volume financeiro. No entanto, dados recentes do Índice de Demanda Imobiliária (IDI) Brasil mostram uma mudança estrutural: as cidades mais promissoras hoje são aquelas com maior demanda reprimida e forte dinamismo econômico local, independentemente da oferta imediata.
O levantamento, realizado pelo ecossistema Sienge em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), analisou 81 cidades brasileiras. Diferente dos índices tradicionais que focam na oferta (número de lançamentos), o IDI foca na capacidade de absorção do mercado.
A Ascensão do Centro-Oeste no Alto Padrão
O movimento mais emblemático do último trimestre ocorreu no segmento de alto padrão (renda familiar acima de R$ 24 mil mensais).
- Brasília: Manteve a liderança nacional pelo segundo trimestre consecutivo.
- Goiânia: Avançou para a terceira posição, superando o Rio de Janeiro e ficando atrás apenas de São Paulo.
Segundo Gabriela Torres, Gerente Executiva de Dados e Inteligência do Sienge, o agronegócio, a política e o setor de serviços criaram um ambiente de alta concentração de renda no Centro-Oeste. Esse fenômeno rompe a dependência histórica do eixo Rio-São Paulo para o segmento premium.
Ranking de Atratividade – Alto Padrão:
- Brasília
- São Paulo
- Goiânia
- Curitiba
- Rio de Janeiro
Fortaleza no Topo do Mercado Econômico
No segmento econômico (renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil), Fortaleza assumiu a liderança nacional. Cidades com forte presença do programa “Minha Casa Minha Vida” têm se mostrado mais resilientes aos juros elevados devido aos subsídios governamentais.
Já em Curitiba, a alta demanda decorre de restrições urbanísticas locais que limitam a oferta, gerando uma oportunidade real para novos projetos.
Cidades Médias e o Desafio do Médio Padrão
O segmento de médio padrão (renda entre R$ 12 mil e R$ 24 mil) é o que mais sofre com a alta dos juros, por depender diretamente de financiamento imobiliário. Ainda assim, cidades com infraestrutura consolidada e menor saturação urbana estão ganhando espaço:
- Maringá (PR): Subiu dez posições, alcançando o 5º lugar nacional.
- Itajaí (SC): Avançou para a 6ª posição.
- Belo Horizonte (MG): Saltou da 11ª para a 7ª colocação.
Inteligência de Dados na Tomada de Decisão
Para José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC, o uso de indicadores estruturados como o IDI reduz a assimetria de informação no setor. O índice combina variáveis macroeconômicas, como geração de empregos e atividade econômica regional, com dados operacionais do mercado, incluindo a força do mercado secundário (imóveis usados).
“Nenhuma empresa deve tomar decisão baseada em um único indicador, mas entender onde a procura realmente está se fortalecendo melhora muito a qualidade das decisões”, conclui Martins.