Jason Miller responde com xingamento após presidente brasileiro condenar bombardeios e prisão de Maduro
Um novo episódio de tensão diplomática marcou as relações entre Brasil e Estados Unidos neste sábado (3/1). Jason Miller, conselheiro próximo de Donald Trump, usou as redes sociais para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após críticas feitas pelo líder brasileiro à operação militar americana na Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Em uma postagem feita no X (antigo Twitter), Miller compartilhou uma reportagem que noticiava o posicionamento de Lula e escreveu:
“Vai se foder, Lula. Agora todos nós sabemos qual é a sua posição.”
O comentário de Miller veio logo após o presidente brasileiro afirmar que os bombardeios em território venezuelano ultrapassaram uma linha inaceitável, condenando de forma dura a operação militar liderada por Washington.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula em nota oficial.
O presidente também alertou para o risco de um cenário global de instabilidade:
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.”
O governo brasileiro expressou preocupação com o enfraquecimento das normas internacionais, reforçando que a postura dos EUA remete aos “piores momentos da interferência estrangeira na América Latina”.
A resposta de Jason Miller, além de ser vista como agressiva e diplomáticamente imprópria, lança ainda mais sombras sobre a tentativa recente de reaproximação entre Brasil e Estados Unidos. Lula vinha articulando um diálogo mais equilibrado com Washington, sobretudo após pressões econômicas e sanções diplomáticas. A postura de Trump e aliados, contudo, pode representar um obstáculo ao avanço dessas negociações, especialmente em um ano eleitoral nos EUA, marcado por tensões ideológicas globais.
O episódio evidencia mais uma vez a polarização entre lideranças políticas internacionais e reacende debates sobre soberania, intervenção militar e diplomacia em tempos de incerteza geopolítica.