Conselheiro de Trump ataca brasileiras em entrevista: “Raça maldita” e “programadas para confusão”

Paolo Zampolli, enviado especial do governo americano, proferiu ofensas misóginas e xenofóbicas à rede italiana RAI; falas ocorrem em meio a disputa judicial com ex-mulher brasileira.


DIPLOMACIA & CRISE — Uma nova frente de tensão entre o Brasil e o governo dos Estados Unidos foi aberta após declarações explosivas de Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais da administração Trump. Em entrevista à emissora italiana RAI, o conselheiro proferiu uma série de ataques misóginos e xenofóbicos direcionados às mulheres brasileiras, classificando-as como uma “raça maldita” e alegando que seriam “geneticamente programadas para causar confusão”.

Zampolli, que é amigo de longa data de Donald Trump e foi o responsável por apresentar Melania Knauss ao republicano nos anos 90, utilizou termos de baixo calão e estereótipos baseados em produções culturais brasileiras para justificar seus ataques. “Os brasileiros assistem a novelas e são todos um pouco assim”, afirmou o conselheiro durante a gravação.

Bastidores: Vingança e Deportação

O pano de fundo das ofensas é o conturbado fim do casamento de 20 anos entre Zampolli e a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro. Segundo reportagem do The New York Times, o conselheiro teria acionado autoridades de imigração (ICE) após descobrir que a ex-mulher enfrentava acusações de fraude nos EUA. Amanda foi deportada para o Brasil em outubro de 2025.

Embora Zampolli negue envolvimento direto na deportação, a brasileira relata um histórico de violência doméstica e abuso sexual, além de disputar na justiça americana a guarda do filho do casal, de 15 anos. Na entrevista, ao ser questionado sobre o comportamento da ex-esposa e de suas conhecidas, Zampolli generalizou os ataques: “É essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais”, disparou.

Impacto nas Relações Bilaterais

As falas de um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado ocorrem em um momento em que a diplomacia entre Brasília e Washington já enfrenta fragilidades. A utilização de termos como “programação genética” para desqualificar uma nacionalidade acendeu o alerta em organizações de direitos humanos e na bancada feminina do Congresso Nacional, que cobram uma nota de repúdio do Itamaraty.

Zampolli assumiu o cargo de enviado especial em março de 2025 e sua influência no Salão Oval é considerada significativa, o que confere às suas declarações um peso que extrapola a esfera de uma disputa privada familiar.