BRB aprova aporte de R$ 8,8 bilhões para recompor capital após crise com Banco Master

Assembleia de acionistas formaliza aumento de capital social para salvar índices de solidez; banco também fecha acordo de R$ 15 bilhões com a Quadra Capital para transferir ativos “tóxicos”


ECONOMIA — Em um movimento decisivo para estancar a crise de confiança e financeira que atravessa, o Banco de Brasília (BRB) aprovou, nesta quarta-feira (22), um aumento de seu capital social em até R$ 8,8 bilhões. A medida, ratificada em assembleia geral de acionistas, busca recompor o balanço patrimonial da instituição, severamente fragilizado após operações sob investigação envolvendo o Banco Master.

O presidente do BRB, Nelson Souza, classificou a aprovação como um “grande passo”. Segundo ele, o banco já possui um cronograma para a integralização desse capital até o dia 29 de maio. Além do aporte bilionário, a assembleia formalizou as indicações de Nelson Souza e Joaquim Lima de Oliveira para o conselho de administração do banco, pendências que se arrastavam desde o final de 2025.

Manobra de R$ 15 Bilhões com a Quadra Capital

Para limpar o balanço de ativos problemáticos herdados do Banco Master — instituição que foi liquidada pelo Banco Central após a Operação Compliance Zero —, o BRB assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital. A operação consiste na criação de um fundo de investimento para o qual serão transferidos ativos avaliados em até R$ 15 bilhões.

A engenharia financeira prevê:

  • Pagamento à vista: Entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões entrarão no caixa do BRB imediatamente.
  • Cotas Subordinadas: O restante (cerca de R$ 12 bilhões) será convertido em cotas do fundo, que ficará responsável por monetizar esses ativos ao longo do tempo.

“Responsabilidade e Seriedade”

A governadora Celina Leão (PP) defendeu a estratégia nesta terça-feira (21), afirmando que o acordo com a gestora demonstra a seriedade com que o Governo do Distrito Federal está tratando o momento crítico da instituição. O objetivo central é recuperar o capital mínimo prudencial, a reserva de segurança exigida pelo Banco Central que havia ficado abaixo dos níveis regulatórios após a aquisição de ativos suspeitos de fraude.

O Desafio da Credibilidade

Apesar dos anúncios robustos, o BRB ainda enfrenta o ceticismo do mercado financeiro e a vigilância rigorosa do Banco Central, que barrou anteriormente a tentativa do banco público de comprar o Banco Master. O monitoramento sobre a governança da instituição brasiliense foi intensificado, e a pressão sobre a gestão atual permanece alta enquanto as investigações da Polícia Federal sobre a “engrenagem ilícita” de venda de carteiras fictícias continuam a avançar no STF.


Radiografia da Recuperação do BRB

MedidaValorObjetivo
Aumento de CapitalAté R$ 8,8 bilhõesRecompor o balanço e atingir índices do BC.
Venda de Ativos (Quadra)R$ 15 bilhõesTransferir dívidas e ativos do Banco Master.
Entrada de Caixa ImediataR$ 3 a 4 bilhõesGerar liquidez para operações do banco.
Prazo Final29 de maio de 2026Data limite para integralização do novo capital.