Brasília nunca deixou a Bahia ir embora: Micarê 2026 reacende tradição do axé na capital

Com Bell Marques e Durval Lelys nos dois dias, festival dos dias 1º e 2 de maio renova uma ligação antiga entre o brasiliense e a micareta

Brasília tem uma relação antiga com a música baiana — dessas que não dependem de calendário oficial para sobreviver. Muito antes de o axé virar lembrança nostálgica ou produto de revival, a capital já havia adotado o trio elétrico, o abadá e a catarse coletiva como parte de sua própria vida cultural. O gênero começou a circular por aqui ainda em 1984, e ganhou outra escala nos anos 1990, quando a Micarecandanga ajudou a transformar a cidade em um dos polos mais apaixonados pelo carnaval fora de época no país. 

É justamente essa memória que o Festival Micarê 2026 tenta reacender nos dias 1º e 2 de maio, no estacionamento da Arena BRB Mané Garrincha. Mais do que um evento de feriado, a festa chega como continuação de uma história que Brasília já conhece de cor: a de uma cidade modernista, seca e planejada, que aprendeu a se deixar invadir pela energia quente, barulhenta e sentimental do axé. Neste ano, o line-up foi montado para falar diretamente com essa lembrança coletiva: Bell Marques e Durval Lelys comandam os dois dias, cercados por nomes como Xanddy, Rafa & Pipo, Tuca, Tomate, Timbalada e Filhos do Brasil

Não é coincidência que Bell e Durval ocupem o centro dessa narrativa. Os dois não são apenas atrações; são parte da biografia afetiva de Brasília. Durval, ainda à frente do Asa de Águia, comandou os blocos da primeira Micarecandanga, em 1992, quando a festa percorreu o trecho entre o Eixão Norte e o Mané Garrincha. Bell, por sua vez, virou personagem recorrente dessa fase dourada e, segundo o Correio, esteve presente desde a segunda edição. Décadas depois, os dois seguem funcionando como atalhos emocionais para uma geração que aprendeu a medir a alegria pelo som da guitarra baiana. 

A própria memória dos artistas confirma essa ligação. Em entrevista resgatada pelo Correio BrazilienseBell Marquesdisse que “os brasilienses sempre fizeram um verdadeiro carnaval” com ele. Já Durval Lelys, ao comentar a trajetória do axé e dos carnavais fora de época, afirmou que, em Brasília, foi pioneiro com a Micarecandanga. Quando os dois sobem ao trio na capital, portanto, não estão apenas repetindo um repertório de sucessos: estão reativando um pacto antigo com um público que ajudou a sustentar o axé para além da Bahia. 

O Micarê atualiza esse legado com a embalagem dos grandes festivais. A venda é feita pela Bilheteria Digital, com opções de Atrás do Trio e Camarote, além de passaporte para os dois dias. No dia 1º de maio, sobem ao circuito Tuca, Rafa & Pipo, Durval Lelys, Bell Marques e Xanddy. No dia 2, a programação reúne Filhos do Brasil, Durval Lelys, Bell Marques, Tomate e Timbalada

No fundo, o que o festival coloca em cena não é apenas uma festa, mas uma persistência. Em Brasília, o axé nunca foi visita ocasional. Virou costume, rito social, trilha de juventude e herança de gerações. Por isso, quando Bell e Durval retornam ao trio, o gesto tem menos cara de show e mais de reencontro.

Serviço
Festival Micarê 2026
Data: 1º e 2 de maio
Local: Estacionamento da Arena BRB – Mané Garrincha

Vendas: Bilheteria Digital
Classificação indicativa: 18 anos