Do Eixão ao trio elétrico: Micarê 2026 devolve a Brasília um costume que a cidade nunca perdeu

Festival ocupa a Arena BRB nos dias 1º e 2 de maio e reforça a vocação da capital para transformar Bell Marques e Durval Lelys em patrimônio afetivo

Há cidades que recebem o axé como atração. Brasília, não. Brasília adotou o gênero como tradição. Foi assim quando o ritmo começou a circular na capital ainda nos anos 1980, e foi assim, sobretudo, quando a Micarecandanga explodiu nos anos 1990 e arrastou multidões atrás de trios elétricos na Esplanada e no Eixo Monumental. A ponto de o próprio Correio Braziliense registrar que a festa se tornou um dos carnavais fora de época mais famosos do país e conquistou a juventude da cidade. 

É esse traço da identidade brasiliense que volta a ganhar corpo com o Festival Micarê 2026, marcado para 1º e 2 de maio, no estacionamento da Arena BRB Mané Garrincha. A programação mira em cheio o coração afetivo desse público: Bell Marques e Durval Lelys se apresentam nos dois dias, em um desenho que valoriza menos a novidade e mais a permanência. Porque, em Brasília, esses nomes não pertencem apenas ao line-up; pertencem à memória da cidade. 

Bell tem razões de sobra para ocupar esse lugar. Segundo o Correio, ele marcou presença desde a segunda edição da Micarecandanga e definiu Brasília como uma referência para o Chiclete com Banana. Em outra lembrança publicada pelo jornal, o cantor afirmou que sempre foi muito bem recebido na capital e que os brasilienses fizeram com ele “um verdadeiro carnaval”. Durval aparece no mesmo mapa afetivo: foi o Asa de Águia, liderado por ele, quem comandou os blocos da primeira edição da Micarecandanga, em 1992, e o próprio artista mais tarde resumiria essa relação com uma frase direta: “Em Brasília, fomos pioneiros com a Micarecandanga”. 

Por isso, o festival dos dias 1º e 2 de maio fala menos de revival e mais de continuidade. A capital pode até mudar de formato, trocar o Eixão pelo entorno do Mané Garrincha e transformar a antiga micareta em evento de estrutura mais robusta, mas a lógica emocional permanece a mesma: abadá, trio, guitarra, refrão coletivo e uma Bahia imaginária fincada no Cerrado. 

Na parte prática, o Micarê 2026 já tem programação definida. Na sexta-feira, 1º de maio, o público verá Tuca, Rafa & Pipo, Durval Lelys, Bell Marques e Xanddy. No sábado, 2 de maio, sobem ao trio Filhos do Brasil, Durval Lelys, Bell Marques, Tomate e Timbalada. Os ingressos estão à venda pela Bilheteria Digital, com setores Atrás do Trio e Camarote, além de passaportes para os dois dias. 

Se o rock ajudou a moldar a fama musical de Brasília, o axé ajudou a moldar sua festa. E talvez seja essa a chave para entender por que Bell Marques e Durval Lelys seguem tão centrais por aqui: eles não chegam à cidade como artistas convidados. Chegam como velhos conhecidos de uma capital que, há décadas, aprendeu a celebrar a música baiana como se ela também fizesse parte do seu CEP.

Serviço
Festival Micarê 2026
Data: 1º e 2 de maio
Local: Estacionamento da Arena BRB – Mané Garrincha

Vendas: Bilheteria Digital
Classificação indicativa: 18 anos