Adiar o planejamento sucessório pode custar caro — e não só em dinheiro

Em um país onde se evita falar de morte como quem evita um espelho, o assunto planejamento sucessório costuma ser empurrado para o canto escuro da sala — aquele que só se ilumina quando a ausência já fez morada.

Mas a verdade, dita com franqueza e responsabilidade, é esta: não planejar a sucessão patrimonial em vida é como deixar uma bomba-relógio emocional, jurídica e financeira prestes a explodir no colo da sua família.

Aline Porto, advogada especialista em Direito das Sucessões – Foto: Reprodução

Quando a dor vira litígio

A morte, por si só, já desestabiliza. Quando somada à falta de um plano sucessório, ela deixa herdeiros presos em um labirinto burocrático que pode durar anos. Bens bloqueados. Desentendimentos. Escritórios de advocacia cheios. Casas vazias. Famílias rachadas.

“A ausência de um planejamento estruturado pode gerar conflitos familiares, altos custos com impostos e até mesmo a perda de parte do patrimônio”, alerta a advogada Aline Porto, especialista em planejamento sucessório.

No Brasil, o caminho padrão sem planejamento é o inventário judicial — um processo lento, caro e emocionalmente desgastante. Enquanto ele não termina, os bens ficam inacessíveis. E se houver desentendimento entre os herdeiros (o que é mais comum do que se imagina), a herança vira campo de batalha.

O preço do improviso

Além do desgaste emocional, há o peso do custo. O Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), que varia de estado para estado, pode chegar a 8%. Some-se a isso os honorários advocatícios, taxas cartoriais, custos judiciais. Resultado? Muitas vezes, parte significativa do patrimônio simplesmente evapora no meio do caminho.

Aline relata casos em que imóveis precisaram ser vendidos às pressas, por valores bem abaixo do mercado, apenas para cobrir despesas processuais. “Já vi famílias perderem não só bens, mas laços”, afirma.

Mas afinal, como evitar isso?

Planejar a sucessão patrimonial é como desenhar uma ponte sólida entre o presente e o futuro. E existem caminhos eficazes e legítimos para fazer isso com inteligência e segurança:

🔹 Doação em vida com reserva de usufruto — uma solução elegante, que garante o controle do patrimônio em vida e evita o inventário.
🔹 Testamento — dá clareza à vontade do titular e previne disputas.
🔹 Holding familiar — organização patrimonial via pessoa jurídica, com vantagens fiscais e proteção legal.
🔹 Seguro de vida — garante liquidez para cobrir despesas imediatas, protegendo herdeiros.
🔹 Planejamento tributário — cada caso é único, e a orientação especializada pode poupar muito.

Um ato de amor em vida

Planejar a sucessão não é falar de morte. É falar de cuidado, continuidade e respeito pela história construída.

“Muitas famílias adiam essa conversa por medo ou desconforto. Mas o planejamento sucessório é, acima de tudo, um ato de amor. Uma forma de garantir que os seus — aqueles por quem você vive e constrói — não herdarão apenas bens, mas também paz”, diz Aline.