Coalizão de imprensa pede ao plenário do STF que reafirme a proteção ao sigilo da fonte

O Brasiliense — A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), grupo que reúne entidades como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), apelou publicamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que restabeleça a garantia constitucional do sigilo da fonte. A manifestação ocorre em resposta às decisões do ministro Alexandre de Moraes que autorizaram a quebra de sigilo de um jornalista e buscas contra sua suposta fonte no Maranhão.

As organizações alertam que a inversão da lógica investigativa cria um “precedente perigoso” para a democracia e para o jornalismo livre no país.

“Sem o sigilo garantido, denunciantes de crimes ou atos ilícitos deixarão de procurar a imprensa por receio legítimo de represálias”, destacou a nota oficial da CDJor.

Fundamentos Jurídicos e Tratados Internacionais

A manifestação da CDJor embasa-se em proteções legais nacionais e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário:

  • Constituição Federal: Artigo 5º, inciso XIV, que garante o acesso à informação e resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.
  • Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos: Artigo 19, interpretado pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU como dever do Estado em respeitar o direito de não revelação de fontes.
  • Sistema Interamericano: Artigo 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, além da Declaração de Princípios da CIDH e da Declaração de Chapultepec.
  • Efeito Processual: Risco de invalidação futura de provas coletadas caso a quebra do sigilo seja declarada inconstitucional.

Contexto das Decisões Questionadas

ElementoDescrição do Caso
Origem da InvestigaçãoApuração sobre suposto uso irregular de carros oficiais por familiares do ministro Flávio Dino (STF).
Medidas MonocráticasDeterminação de acesso aos dados/notebook do jornalista e posterior busca contra a fonte (Raimundo Cutrim).
Reivindicação das EntidadesAnálise e revisão do entendimento pelo plenário do STF em nome do livre exercício da imprensa.

Sobre a Repórteres Sem Fronteiras (RSF)

A RSF é uma organização internacional sem fins lucrativos fundada na França em 1985, com status consultivo junto às Nações Unidas (ONU), UNESCO e Conselho da Europa. Atua em escala global na defesa do jornalismo independente e conta com escritórios em todos os continentes e rede de 130 correspondentes.

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