Michelle Bolsonaro elogia programa do governo Lula após divergências com Flávio

Ex-primeira-dama celebrou o lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos; dados do MEC apontam que apenas 12% das redes de ensino têm material adequado em Libras

Em um movimento político inesperado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro utilizou suas redes sociais nesta sexta-feira (3) para elogiar publicamente uma iniciativa da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O posicionamento ocorre logo após um período de divergências e críticas públicas entre Michelle e seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A publicação foi motivada pelo lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, programa apresentado pelo Ministério da Educação (MEC). Defensora histórica da causa da inclusão e da Língua Brasileira de Sinais (Libras), Michelle celebrou a implementação da medida, afirmando que a nova política promove maior autonomia e protagonismo para a comunidade surda.

Segundo a ex-primeira-dama, ao estabelecer a educação bilíngue como uma modalidade separada da Educação Especial convencional, o governo federal concretiza um projeto essencial voltado à acessibilidade e à ampliação de oportunidades estruturais.

O cenário da educação de surdos no Brasil

O novo programa do governo federal foi desenhado para enfrentar gargalos históricos no aprendizado de estudantes surdos no país, focando em melhorar o acesso, a permanência e o rendimento escolar desse público. O diagnóstico feito pelo MEC que embasou o projeto revela um cenário de profunda carência de infraestrutura pedagógica nas escolas brasileiras:

  • Material Didático: Atualmente, apenas 12% de todas as redes de ensino do país contam com materiais pedagógicos adequados e adaptados em Libras.
  • Formação Profissional: O país registra apenas 2.501 professores com formação continuada específica em educação bilíngue para surdos.
  • Avaliações: O alcance de exames e provas adaptados no formato VídeoLibras atende a uma parcela ínfima da comunidade escolar, chegando a meros 1,31% dos estudantes que necessitam do recurso.

A nova política nacional do MEC pretende atuar diretamente no enfrentamento dessa escassez de apoio especializado, além de fomentar a abertura e a oferta de novos cursos de pedagogia bilíngue em instituições de ensino por todo o território nacional.