Governo lança Desenrola Adimplentes com juro de 1,99% ao mês focado em trabalhadores informais

Em uma guinada na estratégia de concessão de estímulos financeiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciaram oficialmente na manhã desta segunda-feira (29 de junho) o lançamento do programa Desenrola Adimplentes. Ao contrário das edições anteriores da marca “Desenrola”, que focavam na renegociação de dívidas e na limpeza de CPFs negativados, a nova iniciativa adota uma premissa inédita: premiar e oferecer linhas de crédito mais baratas para cidadãos que estão com as contas rigorosamente em dia.

O principal pilar da medida é a liberação de crédito com taxas de juros limitadas a 1,99% ao mês, um patamar consideravelmente inferior às médias praticadas pelo mercado de crédito pessoal convencional. O público-alvo exclusivo do programa é o trabalhador informal e autônomo, segmento que historicamente enfrenta as maiores barreiras de juros e burocracia no sistema bancário tradicional.

Quem tem direito ao benefício?

A equipe econômica desenhou regras rígidas de elegibilidade para garantir que os subsídios alcancem diretamente a base informal da economia. O programa é voltado para consumidores e microempresas sem anotações de inadimplência, mas que atualmente carregam contratos de empréstimos sob taxas elevadas.

Inclusão bancária fora do radar tradicional

Durante a cerimônia de lançamento em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfatizou que a medida corrige uma distorção histórica nas políticas públicas de microcrédito, que costumavam priorizar apenas empresas formalizadas ou o funcionalismo estável.

“Pela primeira vez, o governo faz um esforço de olhar para o trabalhador informal. Estamos olhando para o trabalhador que não tem carteira assinada, não é do setor público, não é pensionista, não é aposentado do INSS e que muitas vezes não tomou operação de crédito como microempreendedor”, pontuou Durigan.

Com o teto fixado em 1,99% ao mês, o Ministério da Fazenda projeta que o programa permitirá a migração de dívidas caras (como o cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito) para uma linha de financiamento sustentável. O GDF e as instituições financeiras públicas devem detalhar, ao longo da semana, o cronograma de adesão e as plataformas digitais para a simulação dos novos contratos.