Funcionário do BRB é alvo de operação da PCDF contra fraude milionária em consórcios

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (24), a Operação Falsa Promessa II, desarticulando um sofisticado esquema criminoso de venda de consórcios fraudulentos na capital. A ação, coordenada por investigadores da 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho II), colocou sob as lentes da Justiça um funcionário do Banco de Brasília (BRB), apontado como um dos integrantes do grupo que lesou dezenas de clientes.

Nesta segunda fase do inquérito, que contou com o suporte estratégico da Divisão de Inteligência Policial (Dipo), os agentes cumprem seis mandados de prisão preventiva. Além das capturas, o Poder Judiciário autorizou o bloqueio de bens, imóveis e ativos financeiros das contas dos envolvidos, em um montante que alcança a cifra de R$ 14 milhões.

O “conto da contemplação rápida”: Como operava a fraude

De acordo com o delegado-chefe da 35ª DP, Ricardo Viana, o bando operava por meio de anúncios falsos e altamente atrativos veiculados em plataformas de venda digitais e redes sociais, prometendo a aquisição de carros e imóveis sem burocracia.

A principal isca do grupo era a promessa fraudulenta de contemplação acelerada das cartas de crédito. Em muitos casos, os golpistas garantiam ao cidadão que o sorteio ou lance ocorreria em um prazo máximo de três meses após a assinatura do contrato e o pagamento de uma robusta taxa de adesão de entrada.

Para dar roupagem de idoneidade e legalidade ao negócio, os criminosos não se limitavam ao ambiente virtual. Eles atraíam as vítimas para escritórios físicos de oito empresas de fachada espalhadas pelo DF. Ali, os clientes eram recebidos por falsos consultores e, em alguns casos, contavam com o suporte técnico e o trânsito interno do funcionário do BRB investigado, o que dissipava qualquer desconfiança.

Desdobramentos e governança no banco

A investida policial ocorre exatamente no mesmo dia em que a instituição bancária central do DF ocupa as manchetes políticas em virtude da sanção do plano de socorro financeiro pelo Palácio do Buriti. O envolvimento de um funcionário de carreira em fraudes de mercado de crédito acende o alerta das auditorias internas e dos órgãos de compliance(conformidade) do banco.

Até o fechamento desta reportagem, a PCDF não havia divulgado a identidade do servidor detido para não comprometer o sigilo das buscas. Os indiciados responderão pelos crimes de estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.