Arte e Resistência: Exposição “Poéticas Campesinas” celebra a cultura rural no Instituto Cervantes

Por O Brasiliense

As conexões históricas, sociais e afetivas entre o universo rural do Brasil e da Espanha ganham as telas e os tecidos na capital federal. Inaugurada nesta segunda-feira (8 de junho), a exposição coletiva “Poéticas Campesinas – Um mundo de valores, recordações e aspirações” está em cartaz na galeria do Instituto Cervantes de Brasília (Asa Sul).

A mostra, que tem entrada franca e classificação livre, estende-se até o dia 30 de julho de 2026. Com curadoria assinada pelo Espaço Cultural Barthô Naïf e pelo Instituto Alvorada Brasil, a exibição homenageia duas grandes referências da arte popular: o artista plástico, historiador e escritor espanhol Diego Ceano e a saudosa mestra brasileira dos bordados Antônia Dumont (conhecida carinhosamente como Ioiô).

O Campo como Identidade, Memória e Luta

A exposição reúne pinturas e ricos painéis de arte têxtil que retratam o cotidiano, as festas religiosas, as colheitas, os folclores e a ancestralidade do povo do campo. Longe de reforçar estereótipos de sofrimento ou escassez, as obras propõem a zona rural como um espaço de vida pulsante, criatividade e resistência comunitária.

Os Artistas e os Coletivos em Destaque

O corpo curatorial da mostra — composto por nomes como Oscar D’Ambrósio, Odécio Rossafa e Sávia Dumont — selecionou expoentes cujas trajetórias dialogam profundamente com as raízes da terra:

  • Diego Ceano: Natural de Málaga, o pintor e historiador resgata em suas telas de cores vivas a essência da alma rural andaluza, documentando a arquitetura de vilarejos e os costumes tradicionais da Espanha.
  • Antônia Dumont: Focada na floração do cerrado, na poeira das estradas de chão e nas águas do Rio São Francisco, a artista moldou uma forma única de bordar que imortalizou as paisagens do interior brasileiro.
  • Jair Lemos: Apresenta a série “Uma certa estrada boiadeira”, composta por dez pinturas que registram a antiga rota comercial de terra vermelha que conectava o Mato Grosso ao Noroeste Paulista entre os séculos XIX e XX.
  • Jocelino Soares: Natural de Neves Paulista (SP), utiliza fortes contrastes de luz e sombra para retratar o “ser caipira”, as colheitas e as tradicionais Folias de Reis.
  • Shirlene Pérola Negra: Mineira de Cajuri, a artista e gestora cultural desenvolve obras que valorizam a cultura de matriz africana, as manualidades e a ancestralidade de forma horizontal e democrática.
  • Codo: Traz o viés político ao retratar os camponeses e cenários da Guerra Civil Espanhola (1936–1939). Suas telas reconstituem as tensões da zona rural dividida entre os defensores da Segunda República (apoiados pela URSS) e as forças nacionalistas do general Francisco Franco (financiadas pela Alemanha Nazista e Itália Fascista).
  • Grupo Matizes Dumont: Coletivo familiar de Pirapora (MG) que elevou o bordado tradicional à categoria de arte contemporânea, costurando a muitas mãos as lendas, os pássaros e o misticismo dos povos ribeirinhos do São Francisco.
  • Coletivo Linhas da Resistência: Grupo de ativistas e educadores que transforma a arte têxtil em ferramenta de denúncia pública. O bordado deixa de ser mero adorno para se tornar escrita visual na luta pela reforma agrária, no combate ao racismo, na denúncia da violência contra as mulheres e na defesa da democracia.

Serviço

  • Evento: Exposição Poéticas Campesinas – Um mundo de valores, recordações e aspirações
  • Período: De 8 de junho a 30 de julho de 2026
  • Onde: Instituto Cervantes de Brasília (SEPS 707/907, Lote D – Asa Sul)
  • Visitação: Segunda a sexta-feira, das 9h às 21h; sábados, das 9h às 12h
  • Ingresso: Entrada franca
  • Informações e contatos: barthonaif@gmail.com ou pelo telefone (61) 99661-1935