Em meio à operação da PCDF e audiência crucial no STF, entenda como as operações com o banco privado geraram crise de liquidez e forçaram Celina Leão a costurar socorro de R$ 6,6 bilhões.
Por Redação O Brasiliense
A história recente do Banco de Brasília (BRB) ganhou contornos dramáticos nesta quinta-feira (28), dividida em duas frentes de grande impacto: a deflagração da Operação Crédito Corrompido pela PCDF e a segunda audiência de conciliação liderada pelo ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal (STF). Para além das fraudes nos consignados descobertas nesta manhã, o centro da asfixia financeira que atinge o maior banco público do Centro-Oeste atende por outro nome: o escândalo envolvendo as operações com o Banco Master.
A crise de liquidez que levou a governadora Celina Leão (PP) a pleitear um socorro emergencial de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é o ápice de um efeito dominó institucional. Mas como o BRB, historicamente uma das instituições mais sólidas da região, chegou a este cenário?
A conexão com o Banco Master
O nó que amarra as finanças do BRB decorre de volumosas e complexas operações de mercado com o Banco Master que entraram sob severo escrutínio de órgãos de controle e auditorias fiscais. As transações geraram um rombo bilionário que arranhou a credibilidade da instituição e drenou parte significativa de suas reservas de caixa.
Diante do colapso de confiança no mercado financeiro, a classificação de risco do banco despencou, gerando uma crise de liquidez imediata. Sem dinheiro em caixa para honrar as exigências cotidianas e garantir a estabilidade dos bilhões de reais de correntistas e entes públicos — incluindo dezenas de bilhões de reais em depósitos judiciais —, o GDF precisou intervir politicamente para evitar uma quebra sistêmica.
Como o banco já havia queimado cartuchos internos importantes, como a venda emergencial de R$ 4 bilhões em ativos próprios para mitigar o dano de curto prazo, o caminho restante foi recorrer à Suprema Corte.
A barreira do Ajuste Fiscal e a engenharia no STF
Politicamente, o Palácio do Buriti esbarrava em uma barreira legal: a Secretaria do Tesouro Nacional e o Ministério da Fazenda impunham uma nota baixa de capacidade de pagamento ao Distrito Federal. Pelas regras do Plano de Ajuste Fiscal vigente, o GDF estava impedido de contrair ou avalizar qualquer operação de crédito que superasse a marca de R$ 900 milhões.
Para burlar o teto e garantir os R$ 6,6 bilhões necessários, a petição do GDF no STF alegou que as amarras técnicas do governo federal “impossibilitavam o prosseguimento da análise de operação de crédito”.
Com a mediação de Luiz Fux e a anuência do ministro da Fazenda, Dario Durigan, costurou-se a seguinte saída política:
- Flexibilização temporária: A União aceitou suspender os efeitos impeditivos da classificação fiscal baixa do DF para este caso específico.
- Retirada do Aval Federal: O Tesouro Nacional não será o fiador do empréstimo.
- Garantia Local: O GDF colocará como contragarantia suas próprias cotas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
- Consórcio Privado: Um sindicato de bancos privados dará a fiança final para a captação junto ao FGC.
Embora o acordo político traga alívio financeiro, o clima no Buriti é de vigilância. Enquanto Celina Leão adota um tom de “gratidão” pela ajuda federal, a ala econômica de Brasília sabe que o preço político de empenhar as cotas do FPE e FPM cobrará um preço alto na rigidez do orçamento público dos próximos anos. Paralelamente, as investigações criminais sobre o Banco Master continuam correndo em sigilo, prometendo novos capítulos nos tribunais.