País entra pela primeira vez no patamar de desenvolvimento humano “muito alto” puxado por avanços na educação e na saúde, mas relatório do PNUD alerta para disparidades severas de raça, gênero e região.
O Brasil alcançou uma marca histórica em sua trajetória socioeconômica. Pela primeira vez, o país atingiu o patamar considerado “muito alto” no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme relatório divulgado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). O estudo, que tem como base o ano de 2024, revela que a pontuação nacional saltou de 0,744 em 2012 para 0,805 na escala que vai até 1.
Apesar do avanço generalizado em todos os parâmetros medidos, o documento faz um alerta contundente: as profundas desigualdades estruturais entre regiões, gêneros e raças persistem e criam realidades sociais completamente distintas dentro do mesmo território.
Os Pilares do Avanço: Saúde e Educação
O desempenho histórico do indicador brasileiro foi sustentado pela evolução positiva de seus subíndices:
- Saúde (Longevidade): Continua sendo o indicador com a melhor pontuação do país, subindo de 0,829 em 2012 para 0,860 em 2024. De acordo com a ONU, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) foi o fator determinante para que o Brasil atingisse um patamar de longevidade equivalente ou superior ao de muitas nações desenvolvidas.
- Educação: Foi a área que registrou o crescimento mais expressivo. Em 2012, o segmento figurava como o pior indicador do país, avaliado em 0,679. Em 2024, deu um salto superior a 0,1 ponto, alcançando 0,798. O PNUD aponta o impacto de longo prazo do programa Bolsa Família como fundamental para esse avanço educacional, gerando reflexos consistentes na fixação e progressão escolar das crianças ao longo da última década.
“O Brasil da segunda década do século 21, definitivamente, não é o Brasil de 30 anos atrás. As evidências indicam uma evolução positiva do IDHM e seus subíndices…” — Relatório do PNUD.
A Linha da Desigualdade
Apesar dos ventos favoráveis na média nacional, os recortes demográficos e geográficos expõem abismos sociais significativos. Dependendo do perfil do cidadão avaliado, o nível de desenvolvimento humano muda de categoria:
Gênero e Raça
- Homens: Registram IDH muito alto (0,802).
- Mulheres: Registram IDH alto (0,798).
- Pessoas Brancas: Concentram um nível de desenvolvimento muito alto (0,851).
- Pessoas Negras: Ficam restritas ao patamar considerado alto (0,774).
Disparidades Regionais e de Renda
- Unidades da Federação: O Distrito Federal lidera isolado com o maior índice do país, cravando um nível muito alto de 0,866. Na outra ponta, o Maranhão apresenta o pior desempenho, com IDH alto de 0,745.
- Expectativa de Vida: O abismo regional afeta diretamente o tempo de vida do cidadão. Um habitante do Amapá vive, em média, até cinco anos a menos do que um morador da capital federal (74,3 anos contra 79,7 anos).
- Rendimento: A desproporção financeira é extrema. Um cidadão branco residente no Distrito Federal aufere uma renda média quatro vezes superior à de um cidadão negro morador do Maranhão (R$ 1.987,00 contra R$ 446,20).