Comissão de Igualdade Racial classifica episódio como “apagamento cultural” e “contradição evidente”; entidade também alerta para conduta de cantor que fez piadas preconceituosas sobre o caso
Brasília, DF — 1º de maio de 2026 — A seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) emitiu uma nota contundente nesta quinta-feira (30) a respeito da polêmica envolvendo o Festival Melodya. O evento, que se apresentou como um subfestival dentro do Festival de Música Negra realizado no último fim de semana em Ceilândia, gerou revolta ao apresentar uma grade de 20 artistas sem quase nenhuma presença de pessoas negras.
Para a Ordem, a exclusão dos protagonistas da cultura que o evento se propunha a celebrar não é um erro isolado, mas sim parte de uma lógica histórica de invisibilização. “A participação quase nula de artistas negros na grade revela uma contradição evidente entre o discurso e a prática”, afirmou Tuanne Costa Silva, presidente da Comissão de Igualdade Racial (CIR) da OAB-DF.
Pontos Principais da Manifestação
1. Apagamento Cultural e Representatividade
A OAB-DF destaca que o ocorrido fere o princípio da representatividade. Segundo a entidade, quando um evento vinculado à música negra não abre espaço para esses artistas, ele reproduz um sistema de apagamento cultural que precisa ser enfrentado com responsabilidade institucional e social.
2. Conduta de Artistas e Piadas Preconceituosas
A presidente da comissão também comentou o comportamento do cantor Felipe Sales, que integrou a programação e, após as críticas, teria feito piadas de cunho preconceituoso nas redes sociais.
- Alerta Jurídico: Tuanne ressaltou que a remoção dos vídeos ou conteúdos da internet não apaga a conduta já praticada.
- Orientação: A OAB orienta que qualquer pessoa que tenha se sentido ofendida pelas declarações busque auxílio jurídico especializado para avaliar medidas cabíveis contra crimes de injúria racial ou racismo.
O Caso Festival Melodya
O festival ocorreu em Ceilândia, uma das regiões administrativas com maior população negra e pulsão cultural do DF. O fato de o evento estar abrigado sob o guarda-chuva de um “Festival de Música Negra” e selecionar uma maioria esmagadora de artistas brancos foi o estopim para a mobilização de coletivos culturais da cidade.
Até o momento, a organização do festival não apresentou uma justificativa técnica que explicasse os critérios de seleção da curadoria. A CIR da OAB-DF informou que, embora não tenha sido formalmente acionada, continuará monitorando os desdobramentos e a repercussão do episódio para garantir que os direitos da população negra e o respeito à sua produção cultural sejam preservados.