Desconfiança no STF bate recorde e supera 50% pela 1ª vez, aponta Quaest

Levantamento mostra 53% dos brasileiros sem confiança na Corte; índice avança em meio à crise do Banco Master e ao desgaste da imagem do tribunal

A desconfiança dos brasileiros em relação ao Supremo Tribunal Federal chegou ao pior nível da série histórica da Genial/Quaest. Levantamento feito entre 10 e 13 de abril mostra que 53% dos entrevistados dizem não confiar no STF, enquanto 41% afirmam confiar na Corte; outros 6% não souberam ou não responderam. É a primeira vez, desde o início da série em 2022, que a descrença ultrapassa a marca de 50% e supera com folga a confiança. 

O dado aprofunda uma curva de desgaste que já vinha aparecendo nas medições anteriores. Em março, a Quaest havia registrado 49% de desconfiança e 43% de confiança. Em agosto de 2025, os números eram de 50% de confiança e 49%de desconfiança; em novembro de 2022, início da série, a percepção positiva estava em 56%. O resultado de abril, portanto, não é um solavanco isolado, mas a consolidação de uma virada no humor do eleitorado em relação ao tribunal. 

Os recortes do levantamento ajudam a desenhar onde a rejeição é mais intensa. A maior taxa de desconfiança aparece no Sul, com 62%, e no Sudeste, com 59%. A renda também pesa: entre os brasileiros que ganham mais de cinco salários mínimos60% dizem não confiar no Supremo. Já entre os que têm renda de até dois salários mínimos, há empate técnico, com 47% de desconfiança e 45% de confiança. A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de nível de confiança

A piora na imagem do STF ocorre em meio à crise aberta pelo caso Banco Master, que passou a respingar no ambiente político e judicial. Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli decidiu se afastar da relatoria da investigação depois do aumento do escrutínio sobre seus vínculos com o controlador do banco, Daniel Vorcaro. Toffoli negou ter recebido pagamentos ou mantido relação com o banqueiro, e os demais ministros do Supremo divulgaram nota afirmando a validade de sua conduta. 

O caso continuou a crescer nas semanas seguintes. Em março, uma turma do STF manteve Vorcaro preso, após decisão baseada em indícios de tentativa de suborno a um ex-diretor do Banco Central. Já em abril, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em investigação ligada ao Master, sob suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros. Nesse ambiente, parte da cobertura da imprensa e das leituras sobre a Quaest passou a associar a queda de confiança no tribunal ao desgaste produzido pelo escândalo — ainda que a pesquisa, por si, registre percepção pública, e não uma relação causal comprovada.