Pedra de Rumo reúne mais de 60 obras inéditas e articula escultura, desenho e cartografia em novo momento da pesquisa do artista
São Paulo, SP — Quatro anos após sua última exposição individual, o escultor e desenhista Nelson Felix (1954, Rio de Janeiro) apresenta obras inéditas em Pedra de Rumo, a partir de 21 de março, sábado, na Almeida & Dale (Rua Fradique Coutinho, 1360). Com texto assinado por Keyna Eleison, a mostra emerge de uma cartografia expandida em desenvolvimento pelo artista desde 2023.
Pedra de Rumo traz mais de 60 obras, entre esculturas em mármore, bronze e elementos vegetais. Em outro trabalho, em que saúda a música e a poesia de Dorival Caymmi, Felix volta a utilizar o chumbo, agora como superfície para pinturas, desenhos e colagens. Um terceiro conjunto, intitulado 1/2 eu, o artista adiciona elementos escultóricos de ferro fundido a desenhos e impressões gráficas, criando uma obra híbrida, atravessada entre linguagens como escultura, desenho e fotografia. Juntas, criam novas relações internas em sua pesquisa e mobilizam signos, que dialogam com a história da arte, a poesia, e a música minimalista do músico baiano.
“Pedra de Rumo é, por um lado, um termo técnico da topografia, utilizado nas demarcações de terras. Por outro, carrega uma dimensão ancestral e espiritual, principalmente, em religiões de origem africana. Mas não só, em vários outros cultos, a pedra ou a mesa do centro do altar tem esta referência. Os dois sentidos aqui são fundamentais, e somo a eles também a ideia, até imediata, de indicação e destino”
Desde o início dos anos 80, Felix articula seus trabalhos unindo-os, como se estivesse fazendo uma obra contínua e única. Através de diversas ações, muitas vezes pelo mundo, as une, meticulosa e poeticamente, turvando seus inícios e fins. Como tudo, Pedra de Rumo é concebida neste procedimento contínuo.
O artista, pelo uso da cartografia, observou que suas próximas mostras – na galeria e, em maio, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) – apontavam um sinal de vínculo. Seus espaços se relacionam, criam uma cruz.
“Existe aí uma unidade. O prolongamento das dimensões longitudinais destes dois espaços expositivos, se cruzam formando uma cruz quase perfeita. Três graus é o que lhes falta, para serem perpendiculares. Isto me levou a direcionar as peças expostas na galeria, de com acordo a arquitetura do museu e o mesmo procedimento, no museu para a galeria”.
Segundo Felix, isso as corrige pelo erro. Os trabalhos, de certa forma, indicam e ultrapassam o espaço imediato. Como sugere o título, Pedra de Rumo propõe uma reorganização do entorno em que se insere, estabelecendo outras relações entre as obras expostas.
A mostra na Almeida & Dale precede Beijo de Língua, exposição Individual do artista a ser inaugurada dia 30 de maio no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP).
Sobre Nelson Felix
Escultor e desenhista, Nelson Felix iniciou sua formação com Jean Serpa, em 1971. Em 1980, realizou a sua primeira exposição individual, na qual expôs uma série de aquarelas. Seu trabalho se define em 1986, quando produziu a peça intitulada Grafite, que se posiciona por uma relação cósmica – o eixo do sol. Já no espaço arquitetônico expositivo, se mostra evidentemente torta, ou seja, é o espaço imediato que se encontra desalinhado. Esta peça o levou a pensar e criar amálgamas de espaços, desenvolvendo uma série de relações de linhas pelo globo terrestre. Como um único trabalho desenvolvido durante três décadas, intitulado Berceuse. Para expor as inter-relações da sua obra, Nelson Felix escolheu desenhar um livro homônimo publicado em 2021 pela editora Martina Fontes.
Entre as individuais que realizou, destacam-se: Carta de amor, Millan, São Paulo, Brasil (2022); Trilha para 2 lugares, MAM Rio, Rio de Janeiro, Brasil (2017); OOCO, Pinacoteca de São Paulo, Brasil (2015); Cavalariças, Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2011); Camiri, Museu da Vale, Vitória, Brasil (2006). Fez parte da 33 e da 23 Bienal de São Paulo, Brasil (2018 e 1996). Participou também de diversas exposições coletivas, entre elas: Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil, CCBB (2025); Osso, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2017); 6ª Bienal de Curitiba, Brasil (2011) Paper Trail: 15 Brasilian Artists, Allsopp Contemporary, Londres, Inglaterra (2008); além das realizadas no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Brasil (2005); e no MAM São Paulo, Brasil (2004).
Seu trabalho integra importantes coleções institucionais, incluindo: Pinacoteca de São Paulo, Brasil; MAM São Paulo, Brasil; MAM Rio, Rio de Janeiro, Brasil Museu de Arte Contemporânea de Niteról, Brasil; Nynex Corporation, Nova York, Estados Unidos; Coleção Banco Itaú, Brasil, Recebeu prêmios ao longo de sua carreira, como Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça pelo conjunto da obra, Ministério da Cultura/Funarte (2006); residência artística, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Brasil (2002); residência artística, Curtin University, Perth, Austrália (1994); e Prêmio Sol de Prata pelo video OOCO, 22º Festival Internacional de Cinema, TV e Video de Clermond-Ferrand, França (1994).
| Sobre Almeida & Dale Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras. Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras. De maneira ativa, a galeria assume o desafio de difundir múltiplas perspectivas e novas aproximações, centrada em ser uma plataforma para os artistas em projetos potentes. Ao unir expertise artística e um olhar estratégico para as dinâmicas globais do setor, a galeria fomenta a expansão e a capilarização da arte latino-americana por meio de uma atuação que segue amplificando e impulsionando o mercado globalmente. A Almeida & Dale é liderada pelos sócios-executivos Antonio Almeida, Carlos Dale, Hena Lee e João Marcelo de Andrade Lima. |
| Serviço Pedra de Rumo, exposição individual de Nelson FelixDe 21 de março a 2 de maio de 2026Rua Fradique Coutinho, 1360Segunda a sexta-feira: 10h às 19h Sábado: 11h às 16h Entrada gratuita |