Operações contra agressores caminham junto com acompanhamento de vítimas, campanhas educativas e reforço da estrutura de atendimento
Por trás das 448 prisões no DF, há uma dimensão que vai além da captura de suspeitos. As operações que reforçaram o combate à violência contra mulheres também vieram acompanhadas de acompanhamento de vítimas, fiscalização de medidas protetivas e ações de conscientização — uma tentativa de romper a lógica de resposta tardia que tantas vezes antecede o feminicídio.
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Na Operação Mulher Segura, o governo informa que foram acompanhadas 18.002 medidas protetivas de urgência e atendidas 24.337 vítimas em todo o país. O dado ajuda a mostrar que a ofensiva não se limitou à repressão: ela buscou proteger mulheres em situação de risco imediato, reforçando a presença do Estado onde a ameaça costuma ser mais silenciosa e persistente.
A frente preventiva também ganhou volume. Segundo o balanço oficial, foram realizadas 1.802 campanhas de conscientização, alcançando cerca de 2,2 milhões de pessoas. É um número relevante porque aponta para uma mudança de eixo: combater a violência de gênero não depende apenas de prender depois, mas de educar antes, acolher melhor e monitorar com mais eficiência.
O plano do Pacto contra o Feminicídio reforça essa direção ao prever rastreamento eletrônico de agressores, criação de um centro integrado de dados e a implantação de 52 unidades móveis para atendimento a mulheres em situação de violência. A mensagem que emerge dessa arquitetura é nítida: o enfrentamento real não se faz só com algema, mas também com prevenção, tecnologia e rede de proteção funcionando.