PF aponta tentativa de interferência em investigação e Daniel Vorcaro volta à prisão

O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a ser preso após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, depois que a Polícia Federal do Brasil (PF) identificou indícios de tentativa de interferência nas investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição.

Segundo apuração, análises realizadas em celulares apreendidos pelos investigadores revelaram conversas que indicariam a articulação de ações contra pessoas consideradas adversárias do empresário, incluindo testemunhas e envolvidos nas apurações.

Conversas levantaram suspeitas de obstrução

De acordo com a Polícia Federal, os diálogos encontrados sugerem a existência de um grupo restrito que discutia estratégias para monitorar críticos e organizar possíveis represálias contra pessoas ligadas ao caso. Entre os participantes estariam aliados próximos ao banqueiro, que teriam funções específicas dentro dessa estrutura.

Para os investigadores, o conteúdo reforça o risco de obstrução da Justiça, uma vez que haveria tentativa de pressionar ou intimidar pessoas relacionadas às investigações.

Outros alvos da operação

Além de Vorcaro, também foi alvo da operação Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado pela investigação como possível operador financeiro do grupo.

A decisão judicial também determinou medidas contra ex-dirigentes ligados ao sistema financeiro. Foram alvo de buscas Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ambos ex-diretores do Banco Central do Brasil.

Investigação envolve crimes financeiros e cibernéticos

Nesta nova fase, a Operação Compliance Zero investiga suspeitas de ameaças, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídas a integrantes do grupo investigado.

A ofensiva da Polícia Federal incluiu mandados de prisão, buscas e apreensões em diferentes estados, além do bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.

Daniel Vorcaro já havia sido preso nas fases anteriores da investigação, mas acabou liberado por decisão judicial. A nova prisão ocorre após o avanço das análises de provas obtidas nos aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação.