Adoção do combustível E32 por 180 dias funcionará como fase de testes para avaliar o impacto do E35 em motores flex e monocombustíveis; medida antecipa metas da Lei do Combustível do Futuro
O plano do governo federal para aumentar o percentual de etanol anidro misturado à gasolina vendida nos postos brasileiros deu mais um passo decisivo. A meta final é elevar o teor atual de 30% (E30) para 35% (E35), e os testes laboratoriais e de rodagem da nova formulação estão agendados para começar em setembro, segundo informações apuradas pela Folha de S.Paulo.
A medida, que já recebeu o aval do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), antecipa diretrizes que originalmente estavam previstas apenas para o encerramento desta década dentro do cronograma da Lei do Combustível do Futuro (sancionada em 2024). O grande motivador para acelerar o projeto é a busca por alternativas de amortecimento dos preços da gasolina frente às oscilações do mercado internacional de petróleo.
Como funcionará a fase de testes (E32)
Antes de autorizar a comercialização definitiva do E35 em todo o território nacional, o governo adotará uma etapa intermediária de validação técnica conhecida como E32 (32% de etanol anidro).
Esse período de testes servirá como uma margem de segurança analítica para avaliar:
- Dirigibilidade: Desempenho do motor e resposta do acelerador em diferentes altitudes e temperaturas;
- Partida a frio: Eficiência da ignição em dias frios, especialmente nos modelos sem reservatório auxiliar de gasolina;
- Integridade das peças: Durabilidade dos componentes do sistema de injeção, bombas de combustível e linhas de vedação.
A bateria de testes técnicos contará com uma rede de laboratórios de universidades e institutos de ponta, incluindo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A operação será coordenada diretamente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e receberá um aporte de R$ 30 milhões em investimentos tecnológicos.
Qual é o impacto para a frota brasileira?
O avanço da mistura encontra um cenário bastante favorável na frota circulante do país. Atualmente, mais de 80% dos veículos leves comercializados no Brasil contam com a tecnologia flex fuel, o que os torna perfeitamente adaptados para rodar com qualquer proporção entre etanol e gasolina no tanque.
A principal preocupação dos técnicos e engenheiros automotivos durante o período de 180 dias com o E32 estará voltada para a parcela de veículos mais antigos ou importados que funcionam exclusivamente a gasolina (monocombustíveis), garantindo que a elevação do teor de biocombustível não provoque corrosão precipitada ou falhas de ignição nesses motores.